Petrobras tem lucro 39% menor no terceiro trimestre, de R$ 3,395 bilhões

A Petrobras teve lucro líquido de R$ 3,395 bilhões no terceiro trimestre de 2013, 39% menor que os R$ 5,567 bilhões obtidos no mesmo período do ano passado.

Em relação ao segundo trimestre do ano, houve queda de 45%, refletindo o aumento das importações da empresa e a manutenção dos preços defasados da gasolina e do diesel no mercado interno em relação ao mercado internacional.

O lucro veio abaixo da expectativa média do mercado, que apostava em um ganho parecido com o obtido há um ano (R$ 5,6 bilhões).

A Petrobras é obrigada a comprar derivados de petróleo (como gasolina e diesel) no mercado internacional, e revender no Brasil com preço menor por causa da política do governo para não prejudicar a inflação no país.

O último ajuste de preços da gasolina e do diesel no Brasil ocorreu em janeiro, de 6,6% para gasolina e 10,5% para o diesel. Mesmo assim, analistas apontam defasagem em torno de 14% em relação aos preços internacionais.

O prejuízo da área de Abastecimento, responsável pelas importações, caiu de R$ 8,651 bilhões no terceiro trimestre de 2012 para R$ 8,594 bilhões de julho a setembro.

A importação de derivados subiu 12,8% do segundo para o terceiro trimestre, somando 493 mil barris diários, contra 437 mil barris diários entre abril e junho.

As exportações de petróleo da empresa caíram 45,07% na comparação anual, para 206 mil barris diários. Já as exportações de derivados subiram 11,36%, para 196 mil barris diários.

CAIXA

O Ebitda, que mede a capacidade de geração de caixa, subiu para R$ 48,452 bilhões, 16,77% maior que o do terceiro trimestre de 2012.

O caixa da companhia no final do terceiro trimestre caiu para R$ 57,8 bilhões, contra R$ 72,7 bilhões no trimestre anterior e de R$ 52,6 bilhões no mesmo período de 2012.

A relação entre o endividamento líquido e o patrimônio líquido, que mede o grau de alavancagem da companhia, ultrapassou os 35% estipulados como limite pela própria empresa.

A alavancagem atingiu 36%, contra 31% no final do ano passado. O endividamento de curto prazo subiu 19%, para R$ 18,2 bilhões, e o de longo prazo teve alta de 29%, para R$ 232,6 bilhões.

Já a receita de vendas da empresa subiu 6% contra o segundo trimestre, para R$ 77,7 bilhões, configurando também uma alta de 5,6% em comparação ao valor registrado há um ano.

PREÇOS

Em carta aos investidores, a presidente da Petrobras, Graça Foster, explicou que o lucro caiu devido ao impacto da defasagem de preços em momento de forte demanda, o que obriga a companhia a importar mais, aliado a maiores despesas com poços secos (quando não há descoberta após gastos com a perfuração), e menor receita extraordinária com a venda de ativos, comparado ao segundo trimestre.

“Ainda que tenhamos tido quatro reajustes de preço de diesel e dois de gasolina nos últimos 16 meses, totalizando 21,9% e 14,9% de aumento, respectivamente, a forte depreciação do real verificada desde maio de 2013, chegando a 22% de desvalorização, fez com que a defasagem voltasse a crescer nos últimos meses. Essa situação tem impactado nosso fluxo de caixa e alavancagem”, disse.

A presidente da estatal também comentou com otimismo o leilão do campo de Libra, no pré-sal, realizado na última segunda-feira.

“Estou convicta de que esse campo de Libra, que desenvolveremos em conjunto com os parceiros Shell, Total, CNPC e CNOOC, os quais possuem reconhecida experiência, habilidades e robustez financeira, contribuirá para a geração de retornos crescentes para nossos acionistas e investidores, pois trata-se de um ativo excepcional, de importância crucial para a sustentação da nossa produção de petróleo, especialmente após 2020”, disse.

Editoria de arte/Folhapress

 

 Fonte: Folha de São Paulo

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje