Petrobras devolve última área de 1º leilão da ANP

A Petrobras devolveu à Agência Nacional do Petróleo (ANP) a última concessão remanescente da primeira licitação de áreas petrolíferas no Brasil, 16 anos depois de sua realização. A desistência do projeto Guaiamá, descoberta de gás na Bacia de Santos, encerra de forma melancólica o processo que deu início à abertura do setor no país, em 1999: entre os 12 blocos concedidos, nenhum produziu petróleo ou gás natural. Guaiamá faz parte de um pacote de 11 campos devolvidos pela estatal à ANP no ano passado, por falta de interesse comercial.

A lista consta da declaração de reservas provadas de 2014, divulgada na noite de anteontem pela companhia. No dia 31 de dezembro do ano passado, a empresa tinha 16,612 bilhões de barris de óleo equivalente (somado ao gás) em suas atividades no Brasil e no exterior. O volume representa um pequeno crescimento de 0,3% com relação ao verificado um ano antes. Em 2014, a empresa teve um Índice de Reposição de Reservas de 105% — o que significa que descobriu 1,05 barris para cada barril produzido.

Alguns dos campos devolvidos à ANP foram descobertos na primeira metade dos anos 2000 e chegaram a ser apresentados como boas alternativas para ampliar a produção na época, antes da descoberta do pré-sal. É o caso de Carataí, na Bacia de Campos, que tem grande volume de petróleo, mas com qualidade baixa. “Na época, a Petrobras não tinha muita coisa melhor e achava que podia produzir nas áreas”, comenta o consultor Pedro Zalan, da ZAG Consultoria. “Hoje, com volumes astronômicos do pré-sal, esses projetos deixaram de ser interessantes”.

Em 2010, a Petrobras previa início das operações em Guaiamá para o ano passado, mas o projeto também ficou em segundo plano com a descoberta do pré-sal. Naquele ano, a italiana Eni havia devolvido a penúltima concessão da primeira rodada de licitações, o bloco BM-S-4, foco do maior lance no leilão de 1999, também por falta de viabilidade comercial. O primeiro leilão de petróleo do país arrecadou R$ 321,6 milhões e marcou a entrada de gigantes internacionais do setor, após o fim do monopólio estatal.

Com a devolução dos blocos e a baixa de ativos vendidos no exterior no ano passado, a Petrobras reduziu suas reservas provadas em 200 milhões de barris. Foram vendidos ativos na Colômbia, Peru, Argentina e Estados Unidos. A empresa informou, em comunicado, que as vendas foram realizadas em um período de petróleo acima de US$ 100 por barril, anterior à desvalorização acelerada nas cotações observada nos últimos meses. As operações fazem parte de um programa de desinvestimentos com o objetivo de levantar recursos para investimentos em projetos do pré-sal.

A empresa apropriou 1,15 bilhão de barris de petróleo equivalente em 2014. Parte desse volume é proveniente de descobertas em áreas da cessão onerosa, concedidas pelo governo à empresa em troca de ações durante o processo de capitalização da companhia. São 243 milhões de barris, encontrados em oito campos: Sépia (Nordeste de Tupi), Itapu (Florim), Sul de Sapinhoá (Sul de Guará), Atapu (Entorno de Iara), Norte de Berbigão (Entorno de Iara), Sul de Berbigão (Entorno de Iara), Norte de Sururu (Entorno de Iara) e Sul de Sururu (Entorno de Iara).

A Petrobras tem direito a explorar 5 bilhões de barris da cessão onerosa, mas informou que só vai apropriar novas reservas após outros estudos nas áreas. Além disso, o governo anunciou no ano passado acordo para que a Petrobras possa explorar volumes excedentes dessa área, mediante a antecipação de volumes em óleo para a União. Os contratos ainda não foram assinados, no entanto, devido a questionamentos do Tribunal de Contas da União (TCU).

A estatal informou ainda que declarou a comercialidade de três novos campos no bloco BM-S-11, onde está a descoberta de Lula: Berbigão , Oeste de Atapu e Sururu. A declaração de comercialidade é a última etapa do processo de exploração de uma concessão petrolífera no Brasil, quando a concessionária confirma a viabilidade econômica de uma jazida e sua disposição de realizar os investimentos para extrair as reservas. A menos, como em Guaiamá e de outras áreas devolvidas em 2014, que surjam novas prioridades.

Fonte: Brasil Econômico

 

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje