O público e o privado antes e agora na era digital

1. Pensemos em círculos concêntricos em cujo interior se encontra a área da afetividade e da idiossincrasia, da família e dos amigos, do imediatismo onde nós somos o que realmente somos, enquanto a sociedade seria o círculo externo, regida por regras universais onde estamos sujeitos as convenções e ao anonimato, se não a simulação e a falsidade. Temos uma ideia do privado como aquilo que não está ao alcance de todos, incomunicável e inacessível, algo bem diferente do social.
      
2. Este é uma privacidade que poderia ser chamado de 1.0, cuja reivindicação e defesa no mundo digital não tem sentido. E inclusive podemos estar querendo um tipo de privacidade que na verdade nunca existiu (exceto, talvez, no espaço lotado e anônimo das cidades), como pode atestar qualquer pessoa que tem uma experiência de vida nas zonas rurais, onde há instituições de controle usadas por sistemas totalitários.
      
3. Com toda revolução de informação, se modificam as condições do que podemos considerar público e privado, que precisam ser repensados, juntamente com o próprio e o comum, a privacidade e os direitos. Na sociedade das redes precisamos de novas maneiras de institucionalizar as relações entre o público e privado. Nós temos que fazer isso porque onde antes havia causalidade, agora existe correlação; ao invés de espionagem, falamos de monitoramento; substituímos os crimes e as doenças pelas propensões; o provável foi substituído pela probabilidade.
      
4. Se a imprensa obrigou a humanidade a pensar na proteção da privacidade, da liberdade de expressão ou dos direitos de autor, o mundo dos “big data” (termo popular usado para descrever o crescimento, a disponibilidade e o uso exponencial de informações estruturadas e não estruturadas) faz com que voltemos a colocar essas tarefas em condições igualmente difíceis.

Fonte: Ex-Blog de  Cesar Maia

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje