Namoro exige planejamento financeiro

A decisão de namorar, em geral, passa longe de questões financeiras. Mas a vida a dois envolve despesas que precisam ser planejadas e feitas com racionalidade.

Um simulador interativo feito pelo professor da FGV Samy Dana para a Folha permite calcular o gasto total de um namoro no ano.

Em um exemplo em que o casal sai para jantar quatro vezes por mês, vai ao cinema três vezes e faz uma viagem anual, entre outros gastos, o total chega a R$ 12.670 no ano (veja quadro).

Para organizar as finanças do namoro, os especialistas recomendam tocar no assunto “dinheiro” assim que o relacionamento começar a ficar sério. Uma forma é comentar sobre um show gratuito ou sobre a cotação do seguro do carro e prestar atenção na resposta do parceiro.

“Pode vir algo do tipo ‘o que é isso’ ou ‘vou te indicar meu corretor’. Então você vê a relação da pessoa com dinheiro'”, diz o educador financeiro Mauro Calil.

“Se cerca de 50% dos casamentos terminam por divergências relacionadas ao dinheiro, há que se sondar como o outro o trata, se gosta de se planejar ou se é obsessivo”, afirma a educadora financeira Cássia D’Aquino.

METAS

Depois de iniciado o tema, a orientação é estabelecer metas conjuntas, como uma viagem. Assim, fica mais fácil definir quanto é necessário guardar por mês e onde será preciso investir para atingir o objetivo.

“Trocar o consumo imediato simplesmente para ter dinheiro no banco não me atrai, mas trocar pela viagem ou pela pós-graduação sim”, afirma o planejador financeiro Valter Police.

Feito isso, é hora do controle das metas. O casal deve colocar na ponta do lápis tudo o que gasta em conjunto, sem esquecer dos pequenos mimos –como um sorvete na rua aos finais de semana ou um pequeno presente semanal para o parceiro– que, muitas vezes, são esquecidos.

Com uma planilha dos dois em mãos, fica mais fácil visualizar se há excessos e onde é possível cortar para alcançar o objetivo conjunto.

Um jantar em casa feito pelo casal pode ser uma opção mais barata –e um programa até mais romântico– do que ir a um restaurante.

Ir ao cinema na quarta-feira –quando o ingresso é mais barato–, fazer um piquenique no parque, frequentar eventos gratuitos, museus e participar de promoções são outras alternativas para ajudar a poupar e atingir os objetivo do casal.

Police recomenda, no entanto, não dividir todas as informações financeiras com o parceiro e ter também um orçamento próprio. Assim, é possível fazer surpresas e manter a individualidade e os objetivos de cada um.

“Se você quer fazer uma surpresa ou comprar algo que seja só seu, é melhor não dividir tudo”, diz.

Fonte: Folha de São Paulo

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje