Ministério Público amplia apoio a Janot contra Cunha e Renan

Cresce no Ministério Público um movimento para reunir o maior apoio possível entre os procuradores a fim de indicar Rodrigo Janot a um novo mandato de dois anos como procurador-geral da República.

A ideia é que ele seja o mais votado na lista tríplice da categoria. Mas há quem defenda que, desta vez, seja apresentado apenas o nome de Janot. Seria uma forma de demonstrar união contra os políticos incomodados por responder a inquéritos no STF (Supremo Tribunal Federal).

Registro: Janot tem feito um trabalho equilibrado ao lidar com um tema tão explosivo como a Operação Lava Jato.

O então presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff sempre encaminharam para apreciação do Senado o nome do mais votado na eleição interna do Ministério Público Federal. Dilma está decidida a indicar Janot por gostar do trabalho dele e por uma necessidade de sobrevivência política: escolher outro pareceria uma tentativa de interferir nas investigações da Lava Jato.

Mas essa indicação tem causado dificuldades para o Palácio do Planalto no Congresso Nacional. Os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha, e do Senado, Renan Calheiros, ambos peemedebistas, são alvos de investigação da Lava Jato e se opõem à recondução de Janot.

É neste cenário que o governo luta para a provar as medidas do ajuste fiscal. Além das resistências ao ajuste em si, é preciso lidar com a oposição dos presidentes das duas Casas do Congresso.

É fato que existem resistências no PT que alimentam a pressão de aliados contra o ajuste fiscal. Se até os petistas, que são do partido da presidente, ficam contra as medidas econômicas, os parlamentares de outros partidos se sentem mais livres para fazer oposição e não apoiar medidas amargas. Isso explica parte do que está acontecendo no Senado.

Na Câmara, foi adiada a votação do projeto que diminui o impacto da redução de impostos sobre a folha de pagamento das empresas porque existe um forte lobby privado a pressionar o relator da proposta, o líder do PMDB, Leonardo Picciani.

Essas dificuldades devem deixar o corte de gastos no Orçamento de 2015 entre R$ 75 bilhões e R$ 80 bilhões. É provável que o anúncio seja feito até amanhã. E deverá haver mesmo aumento de impostos.

Fonte: Blog do Kennedy

 

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje