Marina não subirá no palanque de Alckmin e de Lindbergh

O Partido Socialista Brasileiro (PSB) nem se recuperou da perda do seu maior líder, o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, e já precisa definir os rumos que seguirá nas eleições para presidente da República neste ano.

Após a queda do avião que levava Eduardo do Rio de Janeiro para Santos (SP), na quarta-feira (13), que culminou com as mortes do presidenciável e de seus assessores, o partido se reúne nesta semana para alçar a ex-senadora Marina Silva candidata a presidente.

Diferente de Eduardo, Marina havia disputado uma eleição presidencial, em 2010, quando conquistou 20 milhões de votos. Em 2014, desponta com chances mais claras de vitória. Venceria a presidente Dilma Rousseff no segundo turno, segundo pesquisa Datafolha.

Em entrevista ao blog, o deputado Walter Feldman (SP), fiel escudeiro de Marina e um dos fundadores do partido Rede, afirma que as alianças defendidas por Eduardo serão preservadas.

Marina, no entanto, não subirá nos palanques do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e do candidato ao governo do Rio, Lindbergh Farias (PT). É o que garante Feldman.

Marina e Feldman se filiaram, juntamente com outros políticos, ao PSB após o Tribunal Superior Eleitoral rejeitar, em 2013, o registro do partido Rede Sustentabilidade.

O que faz da Marina o nome natural para substituir Eduardo Campos?

A Marina escolheu o Eduardo para ser o depositário do programa da Rede quando não conquistamos o registro em outubro de 2013. Na ausência desse político extraordinário (Eduardo), há um legado que foi constituído pelos dois. No momento, a dupla Eduardo e Marina tem necessidade de levar esse programa adiante. Só tem a Marina em melhores condições para levar essa proposta de renovação e de uma nova agenda para o Brasil.

A Rede vai abandonar os socialistas, caso Marina Silva seja eleita?

A Marina, se indicada pelo PSB e pelos partidos coligados, se transformará numa candidata da coligação. Não há contradição com a proposta original da Rede que vai ter a sua continuidade. Mas ela será aquela que representará essa coligação.

Esse sentimento de comoção com a morte do Eduardo será explorado?

Não temos desejo de explorar esse sentimento nacional com objetivos eleitorais. Esse é um sentimento da nação, é um reconhecimento de que o Eduardo se transformou num líder sonhado para cumprir outras tarefas que o tempo e o destino infelizmente não permitiram. Agora, Eduardo é um símbolo dessa coligação e de um político que o Brasil perdeu.

Podemos dizer que tal aliança é firme e se perpetuará?

Nossa proposta vai além de um caminho ou um trajeto eleitoral. É uma proposta de governo e de reforma do Estado brasileiro, para recuperarmos o seu caráter ético. É principalmente um Estado voltado para reduzir as desigualdades sociais e intentar um novo modelo de desenvolvimento sustentável. É um programa que vai muito além de mandato de 4 anos.

Como ficarão os acordos feitos em São Paulo e Rio de Janeiro? Marina subirá nesses palanques ou vai evitar críticas às alianças?

A Marina manterá a posição nos estados onde discordamos. Em São Paulo, não haverá presença da candidata Marina Silva no palanque do candidato a governador, Geraldo Alckmin (PSDB). (Ela) Também não subirá no palanque do candidato Lindbergh Farias (PT). O PSB, que fez a opção de apoiar essas candidaturas, manterá sua posição.

Então o partido já começa a campanha rachado, sem unidade?

A Marina e a Rede levaram a ideia de que a nossa coligação deveria estar distante da polarização que, nos últimos 20 anos, dominou a cena brasileira (PSDB versus PT). O legado do Eduardo – as coligações estaduais – será mantido, não será alterado.

O que fazer para superar a desconfiança do setor ruralista, que não se entende com Marina?

Em debate na Confederação Nacional de Agricultura (CNA), o Eduardo deixou claro que chegou a hora de termos um modelo de agronegócio que incorpore preocupações ambientais, aliando o caminho da ciência, da tecnologia, da inovação, do uso intensivo do espaço agrário brasileiro. É perfeitamente possível fazermos uma combinação entre o avanço do agronegócio e o respeito ao meio ambiente. A Marina Silva dará prosseguimento à discussão.

Quais são as principais dificuldades no realinhamento desta aliança PSB-Rede?

Se a Marina for confirmada na quarta-feira candidata, a minha avaliação, com tudo que essa coligação passou, de experiência e prática política transparente, imagino que teremos condições, superadas as dificuldades, que já estão no passado, de caminharmos para a busca de nossa vitória em outubro de 2014.

Ex-ministra no governo Lula, Marina ainda é considerada por muitos como uma política com alma petista. Em segundo turno, ela aceitará apoio do candidato Aécio Neves?

Acreditamos que, num segundo turno, você recebe apoio, você jamais nega os apoios. Mantém-se aquilo que foi o compromisso programático e avança no rumo da disputa final. A Marina e o Eduardo disseram que pretendem governar com o que há de melhor no PSDB, no PT, no PDT, no PMDB. É evidente que esses apoios que vierem no sentido de contribuir para a renovação das práticas políticas do Estado republicano serão bem-vindos.

Como Marina pretende governar sem apoio dos políticos tradicionais no Congresso, como José Sarney e Renan Calheiros?

Tivemos um ótimo caso na Assembleia legislativa de São Paulo, onde fizemos uma composição de comando que envolvia o PT e o PSDB. Eram partidos que sempre se colocaram um como oposição ao outro. Unificamos essa posição. Há um problema grave no Brasil que é a radicalização dessa polarização. A nossa coligação se propõe a unir o Brasil, a avançar no sentido daquilo que a sociedade precisa e não naquilo que os partidos querem, muitas vezes se apropriando da política para si, do que em benefício da população.

Fonte: Blog do Noblat

 

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje