Lava Jato afeta arrecadação para campanha de 2016

A prisão de empreiteiros envolvidos no esquema de corrupção da Petrobras já está afetando a dinâmica das eleições municipais de 2016 no Rio. As empresas, que estão entre maiores financiadores de campanhas eleitorais do Brasil, irão reduzir os investimentos na divulgação de políticos no ano que vem e, temem lideranças ouvidas pelo DIA, a falta de dinheiro para o pagamento das despesas com materiais de campanha, propaganda na televisão e organização de carreatas.

Há a suspeita, ainda, de que muitas empresas não farão doações com medo de serem relacionadas aos desvios. Além disso, diretórios municipais têm enfrentado problemas para fechar as listas de candidatos a vereadores: a provável falta de verbas está amedrontando quem quer iniciar carreira política.

Os partidos só podem começar a arrecadar dinheiro para as campanhas no ano que vem. Até lá, tentam sobreviver com o fundo partidário, dinheiro repassado para as legendas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Neste ano, o repasse supera os R$ 100 milhões, e é dividido entre os diretórios nacionais de acordo com os tamanhos das bancadas federais. Depois, cada diretório repassa quantia aos estados. O valor, segundo os dirigentes estaduais, é pequeno demais.

Nas palavras de um importante político do Rio de Janeiro, será uma campanha “de todos com o pires na mão” . Campanhas milionárias como a da reeleição do prefeito Eduardo Paes (PMDB) em 2012, que custou R$ 21 milhões, de acordo com os dados do TSE serão apenas a lembrança de um passado de maior segurança na relação entre empresas e políticos. Entre as doadoras está a construtora OAS, uma das que mais contribuiu com campanhas eleitorais naquele ano.Segundo colocado naquele ano, o deputado estadual Marcelo Freixo (Psol) fez campanha mais modesta e arrecadou pouco mais de R$ 1 milhão

 

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje