Jaques Wagner rejeita acusação de que sabia do petrolão na Petrobras

O governador Jaques Wagner (PT) refutou ontem as acusações sobre seu envolvimento no caso da Petrobras, em que seu nome é citado, e pede apuração dos fatos. O petista “espera que tudo que está sendo divulgado sobre a estatal e a suposta utilização ilegal de recursos seja amplamente apurado e que os envolvidos e culpados sejam punidos”.

O mesmo conteúdo foi reproduzido no perfil oficial do político em seu Twitter. O assunto ganhou destaque após novas informações terem sido divulgadas pelo jornal Valor Econômico e pela Folha de São Paulo.

De acordo com uma publicação da Folha, as denúncias feitas pela ex-gerente da Petrobras, Venina Velosa da Fonseca, de que houve vários desvios na estatal e que a direção da companhia foi informada sobre as irregularidades, atingiram em cheio Wagner, cotado para ser ministro no segundo mandato de Dilma Rousseff.

Além do governador baiano, foi atrelado também o nome do ex-presidente da petrolífera, José Sérgio Gabrielli, secretário do Planejamento do governo do PT. Venina denunciou naquele ano que o então gerente de Comunicação da área de Abastecimento, Geovane de Morais, havia autorizado irregularmente gastos milionários sem qualquer comprovação da efetiva prestação de serviços, com fortes indícios de desvio de recursos.

Baiano de Paramirim, Morais é ligado ao grupo político petista oriundo do movimento sindical de químicos e petroleiros do Estado, do qual fazem parte Wagner e Rosemberg Pinto, então assessor especial do presidente Gabrielli, que também é da Bahia.

Diz a Folha também que a ex-gerente também alertou a atual presidente da estatal, Graça Foster, e o atual diretor de Abastecimento, José Carlos Cosenza, que substituiu o delator Paulo Roberto Costa, de acordo com mensagens internas da Petrobras a que o Valor teve acesso.

Venina prestará depoimento ao MPF (Ministério Público Federal) em Curitiba, no âmbito na Operação Lava Jato, na próxima semana. A Petrobras divulgou nota ontem em que afirma que todas as informações enviadas pela funcionária foram apuradas. A empresa não confirma se Foster e Cosenza receberam os e-mails publicados pelo jornal. Os alertas são referentes a desvios em três áreas da empresa.

Após as denúncias divulgadas pela Folha, uma auditoria interna realizada na Petrobras constatou as suspeitas de fraudes e desvio de recursos nos pagamentos autorizados por Morais. Duas produtoras de vídeo que trabalharam nas campanhas do ex-governador Jaques Wagner e de duas prefeitas do PT receberam R$4 milhões da Petrobras em 2008, sem licitação, em projetos autorizados por Morais.

Ministério – Nos bastidores, o assunto soou como uma bomba nos planos dos petistas. Primeiro no governador Jaques Wagner, em final de mandato, e que pode ser anunciado para o ministério da presidente Dilma, na próxima semana. O título de homem forte da presidente pode ficar abalado com as denúncias.

O deputado Rosemberg Pinto (PT), também mencionado pela Folha, vê sua candidatura à presidência da Assembleia Legislativa entrando por água abaixo, fato que deixa o deputado Marcelo Nilo (PDT) satisfeito, pois arremata, praticamente, seu quinto mandato à frente do Legislativo baiano.

Rosemberg Pinto é mencionado

Outro citado nas denúncias é o deputado estadual e um dos que almejam a cadeira de presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, Rosemberg Pinto (PT).

De acordo com a Folha, o jornal teve acesso em 2009 a todos os contratos de 2008 da área comandada pelo então gerente de Comunicação da área de Abastecimento, Geovane de Morais. Entre os valores recebidos pelas duas produtoras, estava R$ 1,5 milhão para filmagem de festas de São João e Carnaval na Bahia.

A apuração sobre Morais começou por iniciativa de Venina Velosa, sua então superiora hierárquica direta, na função de gerente-executiva da área de Abastecimento. A direção da estatal criou, em 5 de dezembro de 2008, uma comissão para investigar Morais, tendo indicado Rosemberg Pinto como coordenador da equipe.

Em menos de duas semanas, Rosemberg entregou relatório, concluindo que Morais não havia respeitado normas de contratação e de gastos. Não satisfeita, Venina criou uma nova comissão para investigar a administração de Morais. Da segunda vez, apontou os indícios de desvio de recursos.

As produtoras Movimento e M&V mantinham ligações com o PT baiano há muitos anos. Ambas tinham o mesmo dono, Vagner Angelim, e endereço em Salvador.

O empresário, porém, se recusara a falar sobre a M&V, como se ela não existisse. Angelim trabalhou na vitoriosa campanha de Wagner ao governo da Bahia, em 2006. Pessoas próximas ao empresário afirmaram que ele é amigo do ex-governador. Na época, a assessoria de Wagner disse que eles tinham apenas uma relação comercial do período de campanha.

Fonte: TB

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje