Invasão à Câmara de Salvador por Movimento Passe Livre completa uma semana

Mantidos a sanduíches e biscoitos, um grupo de 16 integrantes do Movimento Passe Livre de Salvador completa nesta segunda-feira (29) uma semana de invasão à Câmara Municipal da capital baiana.

Eles protestam pela redução da tarifa de ônibus da cidade, de R$ 2,80 para R$ 2,50. Desde a última segunda, eles obstruem as sessões da Câmara, o que pode resultar no trancamento total da pauta de votações a partir de quarta-feira (31).

Segundo o presidente da Casa, Paulo Câmara (PSDB), se um veto do prefeito ACM Neto (DEM) sobre a cobrança de ISS ao mercado mobiliário não for apreciado até lá, quando termina o prazo regimental de 15 dias, os trabalhos vão ficar suspensos.

Na fila, há propostas de interesses declarados do prefeito como a autorização de um empréstimo de R$ 100 milhões para tentar tapar os buracos das ruas de Salvador.

Matheus Souza/Aquivo Pessoal
Membros do Movimento Passe Livre de Salvador reunidos neste domingo (28) na Câmara da capital baiana, que ocupam desde o dia 23
Membros do Movimento Passe Livre de Salvador reunidos neste domingo (28) na Câmara da capital baiana, que ocupam desde o dia 23

Porém, o Movimento Passe Livre diz que só vai embora quando for recebido por ACM Neto ou pelo governador Jaques Wagner (PT). Os encontros com os dois políticos estão previstos apenas para o final da próxima semana.

Enquanto isso, os manifestantes contam com a ajuda dos colegas de movimento. “Trouxeram um monte de coisa: biscoito, pão, suco, refrigerante… É o que mais comemos”, diz à Folha o estudante Matheus Souza, 16, que está na ocupação.

Caçula do protesto, ele conta que a família se preocupa bastante com as condições do grupo. “Ligam bastante, mas tá de boa”.

No fim de semana, garotas que participaram da versão baiana da Marcha das Vadias levaram sopas a todos. Diariamente, gente do lado de fora promove o “CineOcupa”, por meio de um projetor, numa das paredes da Câmara.

Embora a luz e a água não tenham sido cortadas, as TVs do plenário não funcionam, de acordo com Souza.

“São pessoas ordeiras, educadas, que cumprem os acordos e estão mantendo o patrimônio público. A gente não tem do que se queixar”, afirma o presidente da Casa. Paulo Câmara, porém, diz que “nada pode fazer” para atender à lista de reivindicações do MPL-SSA.

Além da redução da tarifa, voltando ao preço que era até junho do ano passado, o grupo pede a implantação do “passe livre” para estudantes, a reativação do Conselho Municipal de Transportes, a presença de ônibus 24 horas, a divulgação da planilha de custos das empresas e uma nova licitação do sistema de ônibus da cidade.

A prefeitura diz que não há chance de baixar o valor da passagem. “Salvador foi uma das poucas capitais em que não houve aumento em 2013”, já afirmou ACM Neto.

As outras solicitações, afirma, estão “em fase de implementação”.

MARANHÃO

No Maranhão, manifestantes também estão acampados na Câmara Municipal de São Luís, há seis dias. O protesto é puxado pelo Movimento Passe Livre local, pelo grupo Acorda Maranhão e por moradores ameaçados de despejo em um bairro da cidade.

Eles também pedem o “passe livre”, além da regularização fundiária da comunidade ameaçada e a redução dos salários dos vereadores e melhorias na saúde.

Uma sessão extraordinária para discutir os temas vai acontecer hoje, após exigência dos manifestantes, interrompendo o recesso parlamentar.

O presidente da Câmara já entrou com pedido de reintegração de posse da sede.

Fonte: Folha de São Paulo

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje