Greve de ônibus em Alagoinhas por tempo indeterminado

O Sindicato dos Rodoviários de Alagoinhas iniciou hoje de madrugada uma greve por tempo indeterminado “porque os donos de ônibus não atenderam a principal reivindicação da categoria”: 15% de reajuste salarial.

Depois de várias rodadas de negociação, os donos de ônibus bateram na mesma tecla: sem o reajuste da tarifa não há como aumentar os salários dos rodoviários.

A greve começa em um momento polêmico, quando a Câmara de Vereadores avalia o projeto de lei que propõe a elevação da gratuidade dos atuais 60 anos para 65.

Ademais, uma greve comandada por um presidente de sindicato que exerce cargo de confiança na Prefeitura de Alagoinhas impõe avaliações mais amplas do que a mera luta em defesa dos trabalhadores.

Há uma confluência de interesses: da administração,que deseja evitar desgastes com os eleitores; dos donos de ônibus, que usam os rodoviários como massa de manobra; e dos trabalhadores, que com a greve, pressionam a Câmara de Vereadores  para votar o projeto de lei da gratuidade, visto que o transporte urbano é algo essencial na vida cotidiana da comunidade.

Em algumas cidades do estado, a exemplo de Teixeira de Freitas e Camaçari, os valores das tarifas do transporte coletivo diminuíram, mas em Alagoinhas, os donos de ônibus, que encheram as burras nas últimas décadas, não querem perder nada e tentam jogar para a sociedade aquilo que deveriam assumir.

Os donos de ônibus de Alagoinhas representam o atraso e pensam que estão ainda na década de 80, quando davam as cartas e mandavam no sistema, sem qualquer interferência da sociedade.

Os carrões, as fazendas e os veículos off road  demonstram que os dois principais controladores do sistema de transporte urbano ganharam muito dinheiro nos últimos anos.

São a vanguarda do atraso.

 

 

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje