Fala Menina mobiliza estudantes contra machismo e racismo

A cantora baiana Larissa Luz e a advogada, empresária, militante dos movimentos negro e feminista Eliane Dias participaram da segunda edição do projeto ‘Fala Menina’, promovido pela Secretaria de Política para as Mulheres (SPM-BA), no Colégio Estadual Severino Vieira, no bairro de Nazaré, em Salvador, nesta quarta-feira (26). A aluna Isabela Factum e as secretárias da SPM, Julieta Palmeira, e de Promoção da Igualdade Racial, Fabya Reis, completaram a conversa.

Com o tema ‘Jovens Negras, Inspirar para Libertar’, o bate-papo comemorou o Dia da Mulher Negra Afro-Latino-Americana e Caribenha (25 de julho). Voltado para jovens negras e negros, o projeto tem como objetivo debater temáticas atuais referentes ao empoderamento feminino, a partir de vivências e trajetórias de personalidades convidadas.

No evento, Eliane Dias explicou como mudou a realidade dentro da própria casa. Ela deixou, por exemplo, de viajar para o exterior – mesmo com tudo pronto – quando descobriu que a viagem era “só para homens”. Após o episódio, a relação com o marido, o cantor Mano Brown, do grupo Racionais MC, foi transformada.

“Eu trago para o debate a possibilidade de a gente dar visibilidade aos problemas das mulheres negras e as experiências feitas em São Paulo. Daqui, com certeza, eu levo muita inspiração, arte e conhecimento. Na Bahia, a gente tem toda essa resistência; tudo isso é bem potencializado”, afirmou Eliane.

Formação 

Para Larissa Luz, as urgências das mulheres negras são um tema que geralmente não é abordado, principalmente para os jovens que se encontram em processo de formação de personalidade e identidade. “Eles necessitam dessas referências, que não chegam até eles. Fico feliz de poder contribuir com minha história e trajetória, utilizando as ferramentas que eu tenho conhecimento, principalmente relacionadas à arte, para poder elucidar a cabeça dessas mulheres que precisam encarar o mercado de trabalho, a vida e compreender o seu lugar”.

As histórias de Larissa Luz e Eliane Dias marcaram os estudantes, especialmente as meninas. Sara Pimenta, 15 anos, comentou que há alguns anos as mulheres eram educadas para servir o homem. “Se a gente cozinhava, as pessoas falavam que já podíamos casar. Mas eu penso que se eu faço comida, lavo e passo, é porque vou ter a minha vida. Independência é viver sem depender de ninguém”.

Geovana dos Santos, 15, compartilhou os planos para os próximos anos. “Eu penso em construir meu futuro com bastante garra e determinação. Quero ser independente, sem precisar de ninguém para correr atrás de meus sonhos. Eu preciso estudar bastante e me dedicar para ser uma jornalista”.

Transversalidade

De acordo com a secretária Julieta Palmeira, as ações transversais do Governo da Bahia são uma forma de se superar problemas como o machismo e o racismo. “As políticas têm que atender a isso. É preciso que governo e sociedade estejam unidos no combate a questões tão relevantes como essas”.

Uma estratégia de destaque da SPM é a campanha ‘Respeita as Mina’. “Na terça-feira [25], estávamos em Valença, com uma caravana que praticamente parou a cidade para discutir o combate à violência contra a mulher e o racismo. Que as mulheres possam, junto com a sensibilização, reverter essa desigualdade em que vivem em nossa sociedade”.

Para Fabya Reis, a transversalidade potencializa as ações. “O Julho das Pretas, que é uma ação da SPM, teve uma repercussão enorme e nós estamos celebrando o 25 de julho, Dia da Mulher Negra Afro-Latino-Americana e Caribenha. Para isso, temos um conjunto de ações. No nosso planejamento da Década Internacional da Afrodescendência, a gente quer ampliar [por exemplo] o Centro de Referência Nelson Mandela, onde oferecemos acompanhamento psicológico e jurídico para quem sofre racismo”.

Fonte: Secretaria de Comunicação – Governo da Bahia – Foto: Carol Garcia/GOVBA

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje