EXCLUSIVA: “Não tenho varinha de condão para resolver os problemas do SAAE em um passe de mágica”, afirma diretora-geral

Em sua primeira entrevista concedida à imprensa de Alagoinhas, a engenheira sanitarista e ambiental Maria das Graças Castro Reis (foto), diretora-geral do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), afirmou não ter se surpreendido com a polêmica gerada pela sua nomeação, mas ressaltou que exercerá a função de forma técnica e com objetivo de fortalecer a defesa do saneamento público e o sistema municipal de fornecimento de água.

Além destes aspectos, os quais denomina de ideológicos, a diretora-geral enumerou outros fatores que a fizeram aceitar o convite do prefeito Joaquim Neto: a formação profissional em engenharia sanitária e ambiental (UFBA), o fato de ser filha de Alagoinhas, a vontade de enfrentar o desafio de gerir a autarquia, a possibilidade de voltar para a cidade e por se sentir bem na empresa.

A nova gestora reconheceu que a situação atual é desafiadora e bem distante do período em que esteve à frente a autarquia. “Hoje, não sobram recursos para investimentos”, salientou, acrescentando “que no passado 25% da arrecadação eram destinados à melhoria das atividades do SAAE”.

Os equipamentos de informática da autarquia, de acordo com a diretora-geral, estão sucateados e precisarão ser substituídos, mas diante das dificuldades atuais, as aquisições levarão certo tempo. “Muitos computadores foram comprados em minha gestão”, disse.

A dívida com a Coelba, na casa dos R$7 milhões, vai merecer atenção da nova gestora, que pretende esmiuçar com detalhes a sua composição.

A energia é um dos principais itens na formação de custos do SAAE.

Saneamento

Segundo Maria das Graças, o plano municipal de saneamento que entrou em vigor desde 2006, para se adequar à lei 11.445, de 2008, terá que ser revisado.

Ela informou que sem a atualização exigida pela nova legislação, a Prefeitura de Alagoinhas não conseguirá recursos federais para investir em saneamento básico

A gestora do SAAE assegurou que em seis meses será possível fazer a revisão do plano e assim habilitar o município dentre aqueles que poderão receber recursos do governo federal. “Como já temos o plano e só vamos revisá-lo, será possível fazer as adequações em menos tempo”, revelou.

Política

Sem querer entrar nas polêmicas geradas por sua nomeação, a gestora do SAAE afirmou que não possui carreira política e nem assumiu a função almejando qualquer cargo eletivo. “Tenho minha carreira profissional, defendo o serviço público e vendo o SAAE nesta situação resolvi aceitar o convite, porque tenho condições técnicas para colaborar com a melhoria da empresa”, pontuou Maria das Graças.

Questionada sobre a cor de sua blusa (ver foto acima), a diretora-geral garantiu que ela não é vermelha e sim cor de vinho.

Futuro

Ela previu futuro melhor para a empresa, mas admitiu que o presente é bastante problemática. “É um desafio e tanto porque encontramos o SAAE em situação bastante complicada”, garantiu, enfatizando que “não tem varinha de condão para resolver os problemas em um passe de mágica”.

A gestora salientou que o prefeito foi informado do cronograma necessário para que as mudanças comecem a ser implementadas e concordou com suas ponderações. “Continuará faltando água e o que a gente vai fazer de imediato é procurar minimizar os problemas, criando as condições ao longo dos próximos meses para melhorar a prestação de serviço”, finalizou.

 

Foto: Assessoria de Comunicação do SAAE

 

 

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje