Estudantes celebram o Dia da África com seminários e oficinas

Os estudantes do 1º ano do Ensino Médio do Colégio Estadual Odorico Tavares, em Salvador, protagonizaram um dia de lazer e conhecimento, nas salas de aula e corredores da unidade escolar, para comemorar o Dia da África, celebrado nesta quinta-feira (25/05). Com o tema “Educação Integral Debate Raça, Etnia e Preconceito no Dia da África”, o evento contou com seminários, apresentações de poemas, oficinas, brincadeiras e jogos que estimularam a reflexão sobre a contribuição cultural e representatividade histórica deixadas pelo continente africano no país.

“A ideia do evento é trazer uma temática que eles se identifiquem. Estamos prezando para que estes estudantes sejam sujeitos da sua história, com a perspectiva afirmativa de dizer eu estou aqui, eu posso produzir, eu sou protagonista do meu processo de aprendizagem. Para isso, lançamos o projeto e eles foram atrás de informações sobre os temas propostos, pesquisaram, pensaram nas brincadeiras e hoje trouxeram uma temática que é vivenciada por eles cotidianamente de forma lúdica”, explica a professora Elizabeth Silva.

A estudante Stefane Ingrid Silva de Deus, 15, participou da equipe que apresentou o seminário “Raça e Etnia”, que tratou de assuntos sobre preconceito no Brasil, racismo, sistema de cota, religião, política e postagens racistas nas redes sociais. “Em nosso seminário, falamos sobre vários temas ligados ao cotidiano das pessoas descendentes de africanos. Um exemplo é o Candomblé. As pessoas desconhecem que é uma religião de matriz africana, que tem muita coisa boa e que veio com nossos antepassados. As pessoas têm que aprender a ter tolerância religiosa e a respeitar o Candomblé assim como qualquer outra religião”, pontua Stefane.

Laís Anjos Gaspar dos Passos, 15, conta que atividades como estas são importante para a formação dos jovens. “É muito importante passar informações para os jovens, principalmente os que estão em formação. Ajuda na conscientização de todos para acabar com atos violentos, alguns até bárbaros, contra pessoas negras. Nossa sociedade ainda tenta esconder nosso passado e parte do Brasil é de descendentes, não podemos esconder a nossa cultura, a nossa cor e a nossa religião. Somos a maioria e precisamos de respeito” conclui Laís.

As oficinas de máscaras e de tranças africanas divertiram os estudantes, bem como a brincadeira “Qual a sua cor?”, que chamou a atenção dos estudantes para a identificação da cor da pele. Em meio às plaquetas com vários tons de cores escritos entre preto, negona, ruiva, branca, sarará, mestiço entre outras, os estudantes escolhiam a que mais identificava com a sua pele e tirava fotos com a placa. “Escolhi sarará porque me identifico assim. Tenho avô que é de família italiana e tem meu pai descendente africano. Eu sou uma mistura entre negros e brancos”, declara Rayssa Dias Santos, 13 anos.

Sua colega Gilvania de Jesus Santos, 14 anos, participou da oficina de tranças e diz que gosta de trançar o cabelo e o de suas amigas. “Desde pequena, quando minha mãe trançava meu cabelo eu me sentia muito bonita. Com o tempo, pesquisei e descobri que é de origem africana e que lá sempre serviu para identificar as tribos, origem, estado civil, religião, riqueza e posição social. É a nossa raiz”, acrescenta.

Fonte: Agência Brasil

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje