Empresas dos EUA trocam China pelo México

Jason Sauey as chama de lemingues –todas as empresas norte-americanas que correram para a China e estão agora à procura de fábricas no México. Sua empresa, a Flambeau, quase cometeu o mesmo erro em 2004.Em vez disso, ela se concentrou em sua fábrica na região central do México.

Agora a companhia está colhendo os frutos, segundo Sauey. A receita na fábrica do México cresceu 80% desde 2010, de acordo com dados da empresa.

Com o aumento dos custos trabalhistas na China, os fabricantes americanos estão de olho no país vizinho.

O comércio dos Estados Unidos com o México mostrou expansão de quase 30% desde 2010, para US$ 507 bilhões anuais, e o investimento estrangeiro direto na economia mexicana atingiu o recorde de US$ 35 bilhões no ano passado.

“Com os salários na China dobrando nos últimos anos, o cálculo muda completamente”, disse Christopher Wilson, do Instituto México, ligado ao Centro Internacional Woodrow Wilson para Acadêmicos, em Washington.

Empresas como Caterpillar, Chrysler, Stanley Black & Decker e Callaway Golf estão se expandindo no México –injetando bilhões de dólares em investimentos e impulsionando a integração econômica que os presidentes Barack Obama e Enrique Peña Nieto definiram como vital.

No entanto, a KidCo, fabricante do Meio Oeste dos EUA, desistiu de transferir a produção da China para o México no ano passado.

“É bem mais conveniente voar para o México do que para a China”, disse Ken Kaiser, proprietário da empresa.

“Mas não conseguimos encontrar uma forma de obter vantagem com a mudança.”

CUSTOS DE PRODUÇÃO

Ed Juline, consultor industrial em Guadalajara, mudou-se para o México em 2001.

Com estudos apontando que os custos de produção de certos produtos no México estavam rapidamente atingindo os mesmos níveis da China, empresas começaram a procurá-lo para assessorá-las na busca de parcerias ou aquisições de fábricas mexicanas.

Os problemas da KidCo aumentaram no ano passado, quando uma fábrica no norte da China, que produz os artigos mais vendidos da empresa, uma linha de portões de segurança para crianças, pediu reajuste salarial. Depois, um carregamento de portas de madeira chegou com um enorme defeito.

“Foi quando nos demos conta de que realmente precisávamos de uma alternativa de fornecimento”, disse Kaiser, 61, que entrou em contato com Juline.

Mas Juline disse que, ao viajar pelo México, deu-se conta de que muitos empresários mexicanos não eram receptivos à chegada de novas empresas.

A experiência da Flambeau tem sido mais positiva.

Desde que Sauey entrou na empresa, em 1985, o faturamento subiu de US$ 65 milhões para US$ 230 milhões.

A companhia prosperou por meio de uma combinação de investimentos no México e nos EUA.

Em sua fábrica em Ohio, Sauey aponta para uma enorme máquina de US$ 2 milhões com braços robóticos, que transforma matérias-primas de plástico rígido em caixas para materiais de arte.

FÁBRICAS NOS EUA E NO MÉXICO

A fábrica no México tem muito mais empregados –cerca de 480, com salário de US$ 17,70 por dia– e mais máquinas.

Ambas as unidades vão gerar um faturamento de US$ 28 bilhões cada uma, de acordo com estimativas da companhia.

Embora a fábrica de Ohio tenha como foco caixas de plástico de alta qualidade para guardar qualquer tipo de coisa, desde armas até remédios, a unidade de Saltillo fabrica produtos mais simples –garrafas para detergente de para-brisas, ioiôs e chamarizes de caça.

“No México, o quase perfeito é bom o suficiente. O segundo melhor está bom”, disse Edward Treanor, gerente da fábrica da Flambeau em Saltillo.

Rotatividade de funcionários, problemas de manutenção e inconsistência do nível de qualidade têm afetado o lucro da empresa há vários anos.

Mas como o México está mais próximo do que a China, acrescentou Treanor, a Flambeau tem mais opções.

PERFIL DE SUCESSO

Especialistas dizem que atualmente esse é o perfil de empresas de sucesso no México, as que são grandes o suficiente para gerenciar suas próprias fábricas e as que não abriram mão de seu conhecimento técnico com a transferência de produção para a China.

“Há muitos exemplos de clientes que estavam no México, foram para a China e agora querem voltar, e a maioria deles abriu mão de sua especialidade em manufatura”, disse Scott Stanley, que trabalha para uma empresa que ajuda companhias norte-americanas a se instalarem no México.

Como Sauey observou, a economia global de hoje está cada vez mais parecida ao mercado volátil de ioiôs: os altos e baixos vêm e vão mais rápido do que nunca.

“É como disparar para a lua quando acontece uma alta”, disse.

“E como cair de um penhasco quando ela acaba.”

Fonte: Folha de São Paulo

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje