Empresa de Eike recebeu investimento do FI-FGTS

Criado em 2008 com recursos do FGTS, o FI-FGTS aportou R$ 24,6 bilhões em projetos de infraestrutura e se tornou o maior financiador do setor após o BNDES, que soma R$ 61,4 bilhões em desembolsos nos últimos 12 meses.

É com um pedaço desse fundo que será formado o veículo que receberá o dinheiro da conta vinculada de cada trabalhador no FGTS.

O patrimônio líquido do FI-FGTS soma R$ 27,6 bilhões e supera o de fundos de Bradesco, Itaú e Santander.

Segundo o balanço consolidado dos cinco anos de atividade do FI-FGTS, a que a Folha teve acesso, a rentabilidade acumulada até julho deste ano foi de 40,7%.

Em 2012, o retorno foi de 7,22%, ante perdas dos fundos privados de infraestrutura Logística Brasil (-7,6%), Infraestrutura Senior (-1%), InfraBrasil Subordinada (-2,2%) e AngraInfra (-2,9%).
A Caixa, administradora do FI-FGTS, diz que só entra em negócios de baixo risco e com viabilidade atestada por uma auditoria externa.

Editoria de Arte/Folhapress

Para serem aprovados, os candidatos passam por quatro comitês, um processo que dura de seis meses a um ano.

Até hoje, foram aprovados 46 projetos, totalizando R$ 32,1 bilhões em investimentos entre 2008 e julho de 2013. A maior parte dos recursos (24%) foi para projetos em energia, seguido por rodovias (5%), portos (4,8%) e ferrovias (3,7%). Também há R$ 7 bilhões em ações do BNDES.

Entre as empresas investidas estão CCR, Light, Energisa, Neoenergia, ALL e Odebrecht. Mas também há investimentos polêmicos, como a LLX, que foi recentemente vendida por Eike Batista.

Mesmo que a LLX tivesse quebrado, a Caixa diz que, pelo contrato, se tornaria “dona” de parte do porto de Açu, principal bem da LLX.

Isso graças a cláusulas contratuais que, ainda segundo o banco, são incluídas em todos os projetos.

Foram essas cláusulas que também asseguraram condições privilegiadas na recuperação judicial da Rede Energia, na qual o FI-FGTS era sócio, com 25% de participação.

Com uma dívida de cerca de R$ 10 bilhões, incluindo impostos e contribuições em atraso, a empresa quase quebrou no primeiro trimestre. Se isso ocorresse, a participação da Caixa -e do trabalhador- teria virado pó.

Com a venda da Rede para a Energisa, em julho, o FI-FGTS saiu da empresa e virou credor. Agora, receberá R$ 712 milhões em prestações. Essa situação estava prevista em contrato e foi o que permitiu que o FI-FGTS tivesse tratamento diferenciado.

Fonte: Folha de São Paulo

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje