Eleições presidenciais e as semelhanças com Alagoinhas – Maurílio Fontes

O afável engenheiro civil Filadelfo Neto (Delfinho), contumaz perdedor de eleições, manteve sempre uma característica que me intrigava, apontada a ele por diversas vezes em tom de crítica: após as derrotas, desaparecia do cenário e não se posicionava, no espectro político que emergiu a partir das disputas, como principal oposicionista.  

Por sua personalidade amena, reconhecida por todos, nunca esteve talhado para a oposição, às vezes vociferante e barulhenta, mas necessária a quem o povo não concedeu votos suficientes para ser governante. 

Em muitos embates eleitorais, Filadelfo e sua família, no caso seu pai, o nonagenário João Paolilo, homem probo, discreto, derrotado em 1982 por Judélio Carmo, foram batidos pelos adversários mas não assumiram o “lugar de fala” de opositores.

Filadelfo perdeu a eleição para a Prefeitura de Alagoinhas em 1976. Seis anos depois, “Seo” João não obteve êxito, como registrado acima, com aliança inusitada: o apoio do PCdoB, na época comandado por Fernando Aranha, à sua candidatura, em um estranho envolvimento entre esquerda e direita. Eleito vereador, Aranha fez oposição cerrada ao prefeito Judélio Carmo. 

Voltemos ao objetivo deste artigo.  

Filadelfo, no sentido estritamente político, é a Marina Silva de Alagoinhas, a candidata que some, flutua por aí sem que ninguém a veja, só reaparecendo nos momentos pré-eleitorais. 

De outro lado, mais recentemente, semelhanças podem ser anotadas entre o prefeito Joaquim Neto e a ex-presidente Dilma Rousseff: ambos, após suas vitórias,Dilma em 2014, e Joaquim dois anos depois, não agregaram novos apoios e passaram a conviver com o esgarçamento de suas bases sociais e eleitorais. 

O raciocínio é simplista, admito, visto que nas duas situações estão imbricadas complexidades dissonantes, mas parte do viés analítico é válido no sentido da diluição de apoios, da dificuldade de comunicação de ambos, incapacidade quanto ao convencimento da opinião pública de que os caminhos políticos e administrativos adotados foram (são) os mais adequados. 

Felizmente, nunca tivemos um postulante ao Paço Municipal com o perfil de Bolsonaro.

A velha esquerda de Alagoinhas não concordará com tal afirmativa por ver em alguns prefeitos que governaram a cidade até 2000 algumas características coronelísticas.

Com razões e sem razões.

Tema para outro artigo. 

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje