Do papa-defunto ao astrólogo, todos de olho no seu voto

urna

As eleições municipais são, de fato, as mais populares e democráticas realizadas nas  5.570 cidades brasileiras por permitir que a disputa dos cargos tenha a participação do faxineiro mais humilde ao empresário filiados aos 35 partidos registrados no país.

A lista e profissões divulgada no item “Estatística das eleições” do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra isso com detalhes. O leque de profissões dos postulantes  é impressionante, incluindo algumas que, certamente, o cidadão quererá distância depois do pleito: a de agente funerário (popularmente conhecido como papa-defunto) e coveiro.

Os dois ofícios têm uma certa popularidade, principalmente no interior, onde sindicatos de trabalhadores rurais e cooperativas contratam planos funerários para a última hora de seus associados. Na vida real, se eleitos, os profissionais do setor, certamente, não devem enfrentar o “drama” ocasionado com o fenômeno  descrito no livro de José Saramago As intermitências da morte, quando as pessoas pararam de morrer jogando o mercado funerário numa crise extraordinária.

Pelo país, 99 papa-defuntos e 48 coveiros vão disputar as eleições, quase todos buscando vagas nas câmaras municipais. Apenas um, Paulo Lamac, da Rede Sustentabilidade, fugiu à regra e é candidato a vice-prefeito em Belo Horizonte (MG). Assim, ao se dirigir à urna eletrônica, o eleitor poderá encontrar os nomes dos candidatos a vereador Waldomiro do Cimitério (sic), do PV, em Caconde (SP); Beto Coveiro, do PTdoB, em Puxinanã (PB); ou Zequinha do Cimitério (sic), do PSOL, em Cacoal (RO).

Bahia

Na Bahia, dois coveiros e seis agentes funerários vão testar suas popularidades em outubro. Lucas do Pax (PTC), de Itambé, e Paulo do Verde (PRB), de Camaçari, são os candidatos coveiros. Já os agentes são Bang de Buita (DEM), em Lajedão; Noel Abençoado (PEN), em Brotas de Macaúbas; Marinaldo do Pax (DEM), em Andorinha; Márcio Santos (PMN), em Lauro de Freitas; Dalla da Pax (PPS), em Iguaí; e Lauro Pires (PHS), de Ituaçu.

Eletricista, pedreiro, gari, garimpeiro, pescador, escritor, antropólogo, o que se imaginar de profissão está na lista do TSE. A mais frequente em todo o país é a de agricultor, seguido de servidor público municipal, comerciante e empresário.  Na Bahia, o item “outros” é o maior, seguido do agricultor e comerciante. Em Salvador, o item “outros” também é o primeiro. A segunda profissão mais citada é a de “empresário”, depois “comerciante”.

Astrólogo

Mas os destaques são as profissões curiosas de gente que quer  entrar na política. Veja o caso do candidato a  vereador Mateus Santos Nascimento (PPL), de Juazeiro (BA).  Sendo astrólogo de profissão, certamente os astros já devem ter lhe dado o resultado das urnas.  O flanelinha Guerreiro Rasta (PEN) cansou de olhar carros e resolveu disputar uma cadeira na Câmara de Vereadores de Ilhéus.

Até “presidente da República” busca vaga de vereador

De todas  as profissões registradas no cadastro do Tribunal Superior Eleitoral, a ocupação mais extraordinária registrada sem dúvida e a  de “presidente da República”. À primeira vista pode parecer que a presidente Dilma Rousseff estaria tentando cargo político ante o impeachment iminente. Mas não.

É a profissão que a candidata a vereadora Maria Gloria Lopez de Souza, a Glória, (PSB) de São José dos Campos (PB), colocou, sabe-se lá o porquê.
Consta que é casada, “branca” e que nasceu em 2 de janeiro de 1971. Nenhuma informação de quando “exerceu” o posto mais importante do país.

Há ainda 191 torneiros mecânicos que vão tentar a sorte nas urnas em todo o país. Seguem o caminho do torneiro mecânico mais exitoso da história do Brasil, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Cor

A declaração de cor (da pele) entre os candidatos revelou que a maioria dos que vão disputar a eleição deste ano no Brasil é “branca”, com 52% (250 mil candidatos). A cor “parda” é a segunda, com 39% (190 mil), e “outros” aparece em terceiro, com 45 mil postulantes.
Dentro do item “outros”, há 8% de “pretos” (42 mil), 0,44% se declararam de cor “amarela” (dois mil) e 0,34% “índio” (1,6 mil).

“Pardos”

Na Bahia predominam os candidatos de cor “parda”, 63% (22 mil), seguidos dos “brancos”,  20% (7,4 mil); candidatos de cor “preta”, 15,6% (5,6 mil); “amarela”, 0,39% (141); e índio, 0,23% (83).

Em Salvador, considerada a capital de maior população afrodescendente do Brasil, 48% dos candidatos declararam cor “parda” (514).

Em segundo vem a cor “preta”, com 34% (362); 16% “branca” (169); 0,48% “amarelo” (cinco); e 0,19 “indígena” (dois). Entre os que se consideraram “pardos” estão os candidatos a prefeito de Salvador ACM Neto (DEM) e Alice Portugal (PCdoB).

Fonte: A Tarde

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje