Copom elevou juros por temer alta da inflação em 2014, mostra ata

O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central deixou claro que a atual política monetária tem como alvo principal atacar a inflação em 2014, cuja projeção aumentou em relação à de março, mostrou ata da reunião realizada na semana passada e divulgada nesta quinta-feira (25).

Pela ata, o BC piorou seu cenário de inflação para 2014, afirmando que ela se encontra acima do centro da meta oficial, de 4,5% pelo IPCA, levando em conta o cenário de referência.

Já para 2013, a autoridade monetária manteve sua estimativa de inflação, também acima do centro da meta. O documento não traz projeções numéricas, apenas qualitativas sobre a inflação.

Na semana passada, o Copom deu início a mais um ciclo de aperto monetário ao elevar a taxa básica de juros –a Selic– em 0,25 ponto percentual, para 7,5% ao ano.

A decisão, no entanto, não foi unânime. Dois dos oito membros foram favoráveis à manutenção da taxa básica na mínima histórica de 7,25%.

Segundo a ata, na última reunião, todos os membros concordaram que uma ação de política monetária era necessária para neutralizar riscos ligados ao aumento dos preços, principalmente em 2014.

No entanto, parte deles defendeu que está ocorrendo uma reavaliação do crescimento global que poderá ter repercussão favorável sobre os preços no Brasil.

Por isso, esses membros avaliaram que a elevação do juro no momento atual não era recomendável. “Para esses membros do comitê, não seria recomendável uma ação imediata da política monetária, entretanto, essa visão não foi respaldada pela maioria do colegiado”, afirmou a ata.

CAUTELA

O BC repetiu ainda que a política monetária deve ser conduzida com cautela, mas que, em momentos como o atual, ela deve ser “especialmente vigilante”.

“O Copom destaca que, em momentos como o atual, a política monetária deve se manter especialmente vigilante, de modo a minimizar riscos de que níveis elevados de inflação como o observado nos últimos doze meses persistam no horizonte relevante para a política monetária”, disse a ata.

INFLAÇÃO

O BC eleva a taxa de juros básica da economia para aumentar o custo dos empréstimos e, com isso, tirar dinheiro do mercado. Com uma menor oferta de crédito, o consumo desacelera e a alta de preços (inflação) tende a perder força.

No sentido oposto, uma redução nos juros praticados estimula o consumo e a economia porque aumenta a quantidade de crédito oferecido. O problema é que, em uma economia muito aquecida, os preços tendem a subir com maior velocidade.

Em março, o IPCA (índice utilizado pelo governo para medir a inflação) atingiu 6,59% no acumulado dos últimos 12 meses e estourou o teto da meta do Banco Central –que é de 4,5% ao ano com margem de dois pontos percentuais para cima ou para baixo–, pressionando a autoridade monetária do país a subir os juros.

O aumento da taxa ocorreu após três reuniões seguidas do Copom em que ela foi mantida em 7,25% ao ano, o menor nível da história. O último corte, de 7,5% para 7,25%, ocorreu em outubro de 2012. Desde agosto de 2011, a Selic caiu 5,25 pontos percentuais, em dez reduções consecutivas.

Fonte: Folha de São Paulo

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje