Chocolatarias artesanais mudam foco para atender as classes C e D

Ovos de Páscoa representam o maior faturamento do ano para pequenos negócios do setor de chocolatarias artesanais. Segundo o Sebrae, as vendas nos meses que antecedem a comemoração podem crescer até 250%.

Acostumadas com chocolates sofisticados, algumas dessas lojas têm uma nova oportunidade de aumentar as vendas com a diversificação dos produtos, mirando o aumento das classes C e D.

Segundo Carlos Alberto dos Santos, diretor técnico do Sebrae, o aumento da renda acompanha mudanças no hábito de consumo, e as pessoas passam a comprar coisas que antes não podiam.

Para definir que tipo de produto oferecer, Santos recomenda aos lojistas conhecer bem o perfil de sua clientela e o que ela deseja.

“É preciso pesquisar e fazer escolhas. Não dá para atender a todos os públicos.”

Além de se preocupar com as vendas, o lojista deve fidelizar os clientes para que eles voltem mais vezes no ano, recomenda Santos.

VENDER TONELADAS

Diversificar está nos planos de Paula de Lima Azevedo, 51, dona da Sweet Brazil.

Ela começou a criar chocolates especiais aos 26 anos com a irmã, por diversão. Com os primeiros ovos, já vieram ideias diferentes, como coelhos e tartarugas.

Depois, apurou a técnica, deixou a carreira em agência de publicidade e passou a criar chocolates de diferentes cores e formas: sapatinhos, notas e até eróticos.

Mas ela diz que hoje faria diferente: “Foquei um mercado AA. Achava o máximo. Hoje, faria bombom em saquinho, sem tanto glamour, e venderia toneladas”.

Agora ela reestrutura o negócio. Em 2013, só fará pedidos sob demanda, principalmente para empresas. No ano que vem, quer ter um novo modelo, mas sem perder o estilo. “Você nunca vai ver coisa minha de mau gosto, mesmo em larga escala.”

BOMBONS

É o que faz Eliane Valladão, 45, da Cacahuá de Brasília. Somou bombons que vão de R$ 1,50 a R$ 5,80 à sua lista de produtos, que inclui barras de chocolate desenhadas e em diferentes formatos.

A ex-psicóloga, que começou no negócio para aumentar os ganhos na Páscoa, diz que sentiu que muitas pessoas queriam comprar mais, mas não podiam: “Algo simples tem o mesmo sabor, de uma forma mais barata”, diz.

Andresa Riato, 36, da Doce Encanto, em Franca (400 km de SP), diz que sentiu uma mudança no padrão de consumo nas vendas.

Acostumada a vender para empresas, ela diz que os funcionários antes compravam um chocolate para dividir para três pessoas. Agora, compram três chocolates.

Fonte: Folha de São Paulo

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje