Celebridades usam os holofotes da fama nos palcos eleitorais

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Na disputa por uma vaga de vereador em Salvador, este ano, o que não vai faltar é famoso. Tem ex-jogador de futebol, pagodeiro, campeão de boxe, treinador  de luta de MMA, dançarino e transexual. São celebridades em suas áreas de atuação que resolveram trocar os holofotes pelo palanque e tentar a sorte na política.

A fórmula para concorrer não é nova e é estimulada pelos partidos, que veem nestes “puxadores de votos”,  sem o perfil de político tradicional, uma garantia de vaga para outros nomes da legenda ou da coligação.

Foi assim com o humorista Tiririca (PR-SP), eleito deputado federal em 2010 com 1,3 milhão de votos. Ele ajudou a eleger mais três deputados. Em 2014, foi reeleito com pouco mais de um milhão de votos e levou de carona outros dois.

Na Bahia, ter notoriedade na área de atuação ajudou a eleger deputado estadual o ex-jogador da seleção Bobô (PCdoB) e o ex-pugilista Popó (PRB), que em 2010 exerceu mandato de deputado federal como suplente.

Em Salvador, caso marcante foi a eleição de vereadora, em 2008, da dançarina de funk e pagode Léo Kret do Brasil – a primeira transexual a conquistar um mandato eletivo no país. Foi eleita com mais de 12,8 mil votos, mas não se reelegeu.

Em 2014 Léo Kret  foi reprovada para a Câmara Federal, com  7.758 votos. Agora, tenta novo mandato de vereadora pelo DEM.  “Volto mais amadurecida, mais preparada”, disse Léo Kret. “Mas será uma eleição difícil com poucos recursos e a concorrência dos artistas”.

Neste grupo de celebridades estão os também pagodeiros Igor Kannário, o Príncipe do Gueto, que tem entre seus hits Tudo nosso nada deles, e Edcity, com sucessos como Pivete veneno. Eles vão disputar o primeiro mandato de vereador pelo PHS e tentar atrair votos do eleitorado da periferia que se identifica com as “expressões do submundo” das letras de suas músicas.

Léo Kret, Kannário e Edicity terão como concorrente o dançarino e performer Sebastian, do PSDB, conhecido dos frequentadores da praia de Pituaçu,  onde é a sensação dançando num minúsculo biquíni.

Órfão de pai e mãe, criado num orfanato da Ribeira, Sebastian (chamado assim pela semelhança com o garoto propaganda da C&A) aprimorou o talento na Cia. Bando de Teatro Olodum e teve passagem pelo É o Tchan.

O performer diz que entrou na política em 2015 pelas mãos do presidente da Câmara Municipal de Salvador, vereador Paulo Câmara (PSDB). “Ele me disse que eu tenho comunicação, que tinha como puxar voto e me perguntou o que eu queria para a campanha”, revelou. Como resposta, pediu ajuda, se eleito, para desenvolver um trabalho social com crianças de rua e criar um hospital veterinário.

Paulo Câmara dá outra versão. “Foi ele que procurou o partido, que é heterogêneo, e entrou para defender a bandeira dele”, disse o vereador, admitindo que Sebastian tem tudo para chamar a atenção do eleitor.

Já o ex-pugilista baiano Reginaldo Holyfield vai tentar converter em votos a imagem de herói que cunhou, primeiro, como campeão brasileiro, sul-americano e mundial dos supermédios, e depois, ao salvar  um sobrinho, em 2011, das chamas que atingiram num incêndio a casa onde mora com a família, em Massaranduba.

Logo depois desse fato, Holyfield filiou-se no PDT e em 2012 disputou a Câmara de Vereadores. Conquistou 5.612 votos, mas não se elegeu. “O PDT nunca me ajudou de fato”, queixou-se ele,  que no ano passado migrou para o DEM.

Se eleito, o pugilista  promete “dar um murro na corrupção” e diz  que espera ajuda do prefeito ACM Neto (DEM) para tocar os projetos na área da educação e esporte que realiza na Cidade Baixa. Quem também entra no ringue eleitoral é o treinador de boxe e artes marciais mistas (MMA) Luiz Dórea, que vai concorrer à Câmara Municipal pelo PSD.

Tendo como inspiração os ex-jogadores de futebol Bobô (deputado estadual do PCdoB-BA) e Romário (senador do PSB-RJ),  Marcelo Ramos, ex-artilheiro do Bahia, decidiu filiar-se no ano passado ao PSB.

Com carreira em vários clubes nacionais e da Holanda e Japão, ele explica que começou a flertar com a política em 2011, quando deixou o futebol. “Acho que vai ser uma experiência nova que vai me permitir ampliar um trabalho que já faço de ajuda às pessoas”, informou Marcelo, que veio da comunidade da Vasco da Gama e pensa em incentivar jovens para o esporte.

A ideia dele é associar sua candidatura à marca do Bahia, na trilha de Roberto Rebouças, que também foi artilheiro do Tricolor de Aço e se elegeu  deputado federal em 1978, numa campanha que eletrizou  a torcida do bicampeão baiano.

Fonte: A Tarde

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje