Câmara de Vereadores aprova “ata frankenstein” com o famoso jeitinho brasileiro – Maurílio Fontes

A Câmara de Vereadores aprovou na sessão vespertina de ontem a ata da sessão de 27 de Dezembro, que sumiu e não registrou as importantes votações ocorridas naquela noite.

O vereador Luciano Sérgio (PT) denominou a ata como “frankenstein” e disse que a presidência deveria retirar de pauta a votação da ata e adiá-la para uma outra data.

Radiovaldo Costa assegurou que a ata deveria traduzir o que foi votado e o texto apresentado aos vereadores continha uma série de incorreções se comparado com o que aconteceu na sessão de  27 de Dezembro.

José Edésio, o mais antigo vereador da Casa, disse que bastaria seguir o regimento interno e votar a ata atrasada, algo que ele considerou comum e normal no legislativo alagoinhense. “Se os vereadores não concordam com o texto que façam as devidas correções”, argumentou.

Com objetivo de defender a aprovação da  ata “retardada”, o vereador José Cleto também falou e disse que a Casa prima pela transparência.

Dez vereadores da atual legislatura não participaram da sessão de 27 de Dezembro. Aprovaram a ata sem nem conhecer o contexto dos fatos.

Apenas os três vereadores de oposição – Antonio Carlos (Cabeça), Luciano Sérgio e Radiovaldo Costa – votaram contra a aprovação da ata. Estavam ausentes Raimunda Florêncio e Jorge da  Farinha.

Numa atitude vergonhosa, que se equipara ao caso da mula Luana, os vereadores da base aprovaram uma ata apenas para cumprir determinações do governo, que assim tenta tapar um buraco deixado pela última gestão do legislativo.

Como bons cabritos, e de olho nas obras para seus redutos, os vereadores engoliram a seco os desejos governamentais.

O secretário de Relações Institucionais, Gustavo Carmo, passou boa parte da manhã de ontem reunido na sede do legislativo articulando a confecção de uma nova ata, que criou insatisfações internas por conta da colcha de retalhos que foi costurada para construir um texto artificial.

O presidente da Câmara de Vereadores, Jorge Mendes, precisa entender que ele não é o líder do governo, mas o gestor legítimo de um poder, que deveria ser autônomo e não ser palco para peças teatrais, porque a sessão de ontem se insere na linha do teatro do absurdo.

E como nem todos os vereadores são bons atores, no cumprimento do script  alguns ficaram parecendo artistas de terceira categoria. Ou sem categoria nenhuma.

Tudo feito a toque de caixa, impondo aos novos vereadores, quase todos dóceis ao governo, envolvimento direto em um problema que não era deles, mas que passou a ser da responsabilidade dos dez por conta das atitudes canhestras, passivas e cúmplices para agradar ao governo.

Um vereador disse ao editor do site: “Se eu votar contra, o governo não fará obras nos bairros que represento”.

Talvez esteja aí a explicação alguns fatos que aconteceram na sessão de ontem.

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje