Cair na rede não é fácil

Peixe grande da política nacional ou arraia miúda das disputas paroquiais, não vai ser fácil cair na Rede da ex-senadora Marina Silva. Diferente de alguns novos partidos que vêm ampliando seus quadros com regras mais flexíveis, a  Rede Sustentabilidade está impondo uma série de condições para aceitar as novas filiações em todo o país. Pessoas que não têm sustentabilidade moral como, por exemplo, os políticos “fichas sujas”,  aqueles que defendem uma agenda conservadora, os que pregam o retrocesso democrático e também os que não estão comprometidos com a preservação do meio ambiente, não são benvindos na legenda de Marina.

O advogado Júlio Rocha, coordenador nacional de formação da Rede Sustentabilidade e coordenador-geral na Bahia (equivalente à presidente regional), dá uma ideia da cautela na aceitação de novos filiados: “Temos, hoje, uma demanda muito grande de interesse. Cerca de 300 vereadores querem ingressar na Rede, mas a tendência do partido é receber de 15 a 20 deles”.

A Rede vem trabalhando como um garimpeiro que peneira bastante a bateia para separar pedregulhos de pedras mais nobres. “Somos um partido de quadros, não um partido de massa”, diferencia Júlio Rocha. Segundo ele, para ingressar na legenda é preciso abraçar o Manifesto da Rede e estar de acordo com o  conteúdo programático do partido. Por isso, têm prioridade nas filiações pessoas que atuam em segmentos como sustentabilidade, cultura, ambientalistas, ativistas autorais e jovens que trabalham com as redes sociais.

Entre as bandeiras que os filiados devem estar dispostos a defender estão: um projeto de desenvolvimento socialmente includente e ambientalmente sustentável; a reforma do sistema político; educação pública de qualidade e universal; democratização do sistema de comunicação; respeito aos direitos humanos; redução das desigualdades e erradicação da pobreza; universalização e melhoria dos serviços de saúde; e defesa dos direitos dos animais; reforma urbana para transformar as cidades em espaços saudáveis; política externa baseada na cultura da paz, na promoção dos direitos humanos, da autodeterminação dos povos e do não intervencionismo bélico.

E quem não aceitar pelo menos um desses compromissos? “Procure outro partido”, aconselha o coordenador estadual da Rede. Para as eleições municipais do próximo ano, o partido vai apresentar candidatos nas capitais e nas maiores cidades do país. Nos próximos dias 11 e 12 de dezembro, a Rede vai anunciar os pré-candidatos nos maiores colégios eleitorais. O registro do partido foi reconhecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em setembro passado, a pouco mais de um ano das eleições e depois de dois anos de luta. A legenda recebeu o n° 18. “A rede é um partido que já nasce grande, carimbado pela maioridade”, brinca Júlio Rocha.

Fonte: Bahia.ba

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje