As lições de Tite para gestores levarem suas empresas à liderança absoluta

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Se estivesse no mundo corporativo, o técnico Tite, do Corinthians, poderia concorrer como favorito a um prêmio de gestão de equipes de alto desempenho em 2015.

Sob seu comando, o clube conquistou uma “fatia de mercado” de 74% dos pontos que disputou no Campeonato Brasileiro e tornou-se campeão com três rodadas de antecedência. Deve bater o recorde histórico de pontuação desde que a competição passou a ser disputada por 20 equipes, em 2006.

O time levou ainda todos os troféus de produtividade: ataque mais eficaz, defesa menos vazada, maior número de vitórias, menor número de derrotas. E foi o mais disciplinado: menos faltas, menos cartões amarelos, menos impedimento.

Aos 54 anos, Adenor Leonardo Bachi diz que sua prioridade como treinador é a qualificação. “O principal desafio em qualquer área está em ser conhecedor de forma profunda do ‘métier’, daquilo com que se trabalha.”

Depois de tornar o Corinthians campeão do mundo, em 2012, tirou um ano sabático em 2014 para estudar seu ofício. O resultado veio neste ano, na volta ao clube.

A campanha esportiva chamou a atenção do mundo empresarial. Rogério Chér, professor da FGV e autor do livro “Engajamento –Alta Books”, conta que executivos o procuraram para saber qual o segredo da liderança de Tite após a goleada por 6 a 1 no domingo passado (22), mesmo com oito jogadores reservas.

Para o especialista, o ponto alto do técnico está na capacidade de sonhar grande e convencer sua equipe de que a meta é alcançável.

Outro ponto forte de Tite está na capacidade de ajudar jogadores a se desenvolver.

Exemplos disso em 2015 não faltam. O meia Jadson ficou muitas vezes no banco de reservas no ano passado e hoje é um destaque do time; o atacante Vágner Love veio do futebol chinês fora de forma e demorou a jogar bem, mas o técnico soube tirá-lo da equipe titular por um tempo e prepará-lo para voltar na hora certa.

“Há um trabalho individual muito forte com cada jogador. Ele entende o que cada um precisa e dá feedbacks para ajudá-los a melhorar”, afirma o coach Alexandre Prates, autor do livro “Resultado, a Liderança Além dos Números” (Integrare).

Veja abaixo o que especialistas em liderança sugerem para gestores que gostariam de estar à frente de equipes com resultados tão chamativos quanto os que o Corinthians conquistou neste ano sob o comando do treinador.

A REGRA DO JOGO

Conheça a opinião de analistas

Atualização
Quando deixou o Corinthians no final de 2013, Tite era campeão mundial, estava em alta e poderia ganhar milhões em um clube chinês ou do Oriente Médio. Preferiu, no entanto, tirar um ano sabático para estudar, lembra Eduardo Ferraz, consultor em gestão de pessoas

Respeito às diferenças
Tite, como bom líder, identifica como aproveitar ao máximo cada profissional, respeitando sua individualidade. Como exemplo, Ferraz lembra o veterano Danilo, que provavelmente seria um mau jogador se jogasse todas as partidas do começo ao fim, por não ter muita resistência física, mas é fundamental quando entra na segunda metade de jogos importantes

Sem comodismo
O Corinthians já era o campeão brasileiro quando entrou em campo contra o São Paulo no domingo (22). Entrou com o time formado principalmente por reservas e, mesmo assim, ganhou de 6 a 1. Como ele, líderes empresariais não devem relaxar quando a meta já foi batida, é preciso buscar novos recordes a serem quebrados, diz Ferraz

Valoriza o grupo
O Corinthians não tem nenhum grande astro que lota o estádio só por estar em campo. Com palavras e gestos, como a troca constante do jogador escolhido para ser o capitão da equipe, criou um time em que a força está no coletivo, diz Chér

Sonho grande
O treinador coloca metas arrojadas, mesmo quando a equipe está em um momento de baixa, como no início do Campeonato Brasileiro deste ano. O time jogava com alma por ter algo grande a atingir, diz Rogério Chér, professor da FGV

Mão na massa
Tite treina duas vezes por dia e está sempre presente, não manda um assessor treinar pênaltis e escanteio e vai fazer outra coisa. Isso dá autoridade e moral para o líder, diz Ferraz

Meritocracia
Na opinião de Ferraz, ninguém joga no Corinthians com o nome. É preciso estar em forma, se doar e ter bom rendimento. O técnico está sempre de olho em estatística e não deixa ser enganado facilmente

Fonte: Folha de São Paulo

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje