Antes exportadora, empresa de pás eólicas destina 40% da produção ao país

Segunda maior fabricante de pás eólicas do mundo, a brasileira Tecsis só exportava até dois anos atrás. Seus principais clientes eram os EUA, onde detém 50% do mercado, e a Europa.

Com a expansão da energia eólica no Brasil e leilões recentes do governo, a empresa, sediada em Sorocaba, já destina 40% da produção ao mercado interno.

“É uma demanda muito relevante”, diz o presidente do conselho de administração da Tecsis, Pércio de Souza, segundo quem o Brasil pode absorver até 50% da produção da empresa até 2016.

O governo promoveu um novo leilão de energia eólica na última sexta-feira (23). Foram contratados 66 parques, que gerarão 1,5 GW –cerca de metade da atual capacidade instalada no país.

As perspectivas, segundo quem trabalha no setor, são otimistas. Até 2017, a eólica irá representar 6% da matriz energética nacional, contra os atuais 2%.

“Temos um pré-sal na superfície”, comenta o fundador da Tecsis, Bento Koike, hoje consultor de inovação da empresa.

Para a Tecsis, o foco no Brasil integrou estratégia para voltar a crescer após a crise de 2008, quando encomendas despencaram e o prejuízo chegou a R$ 136 milhões.
“Na época, o mercado local ainda era irrisório, mas começou a ganhar peso este ano”, diz Souza.

Hoje, a empresa produz cerca de 6.000 pás eólicas por ano. Seu faturamento foi de R$ 1,3 bilhão em 2012. “O Brasil vai ajudar muito nossos planos de crescimento para os próximos três anos.”

No ano que vem, deve entrar em operação a 12ª planta da empresa, no Nordeste, onde serão investidos R$ 250 milhões –com foco principalmente na demanda local.

A empresa, porém, também estuda abrir uma fábrica no exterior, para driblar os problemas logísticos. Hoje, o custo de transporte da pá, que mede até 60 metros e precisa ser transportada em carretas, representa cerca de 15% do preço final do produto. “É o nosso principal entrave”, diz Souza.

Fonte: Folha de São Paulo

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje