Montadoras fazem ajustes, reduzem estoque e esperam produção mais forte no ano

Após um período de forte produção no início do ano, de olho na manutenção do mercado interno e na retomada das vendas externas, as montadoras reduziram o ritmo nas fábricas para ajustar o nível de estoques e garantir uma evolução saudável no segundo semestre.

A produção, que fechou o semestre com alta de 18%, desacelerou pelo segundo mês em julho –houve queda de 2,7% em relação a junho-, mantendo-se ainda em volume superior (3,7%) ao nível registrado no mesmo mês do ano passado.

Os estoques caíram para 395 mil unidades, equivalente a 35 dias de vendas, ante os mais de 400 mil veículos no mês anterior (39 dias de vendas). Para o presidente da Anfavea, Luiz Moan, trata-se de um nível normal.

Embora os ajustes dos dois últimos meses tenham reduzido o crescimento no volume das fábricas no acumulado do ano para 15,8%, a entidade já trabalha com uma previsão superior para 2013. A expectativa, que hoje indica alta de 4,5%, deve ser revisada para cima no próximo mês.

O número é influenciado sobretudo pelo bom desempenho das exportações, que acumulam crescimento de 24,9% até julho. A previsão para as vendas externas em 2013 foi revisada para alta de 20%, ante a expectativa anterior de queda de 4%.

Para o mercado interno, o cenário é desaceleração nos próximos meses. A entidade também já considera uma revisão, para baixo, na expectativa de crescimento, hoje de 3,5% a 4,5%.

No acumulado até julho, as vendas registram avanço de 2,9% (2,141 milhões de unidades), ante um crescimento de 4,8% no acumulado do primeiro semestre.

Os números dos seis primeiros meses do ano são influenciados pela base de comparação menor, já que o desempenho foi fraco no início de 2012 e motivou inclusive a redução do IPI. Além da comparação com volumes maiores, o segundo semestre também traz um cenário mais desafiador, com a redução de confiança dos consumidores e previsão de alta dos juros.

Moan já adianta que 2014 deve ser um ano mais difícil porque combinará a retomada das alíquotas originais do IPI, que hoje continuam parcialmente reduzida, com o as eleições.

“Também consideramos que 2014 pode ser um ano difícil, mas não de perda. Com todas dificuldades, ano de eleições, retorno do IPI aos níveis anteriores, mesmo assim acreditamos em crescimento do mercado”, afirmou.

Fonte: Folha de São Paulo

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje