Executivo tenta se adaptar a novos cenários

Ter a mente aberta e capacidade de se adaptar a novos cenários e desafios econômicos e tecnológicos são duas das principais exigências para que executivos de empresas de alta tecnologia apresentem bom desempenho, afirma o norte-americano Sydney Finkelstein, professor da renomada Tuck School of Business, do Dartmouth College.

Autor de 17 livros sobre administração –inclusive o best-seller “Why Smart Executives Fail” (Por que executivos inteligente fracassam)–, Finkelstein vem há três anos produzindo o ranking dos piores presidentes de empresa do mundo. Na sua última lista, um dos destaques é Mark Pincus, presidente da Zynga, empresa de games que se tornou conhecida por produzir o viciante jogo Farmville, milionário sucesso no Facebook.

O próprio Mark Zuckerberg, fundador e presidente da rede social, não aparece na lista, mas foi vítima de uma “menção desonrosa”, tanto pelo fracasso da empresa no mercado de ações quanto pelo seu estilo de vestir: suas blusas de moletom com capuz, que viraram um espécie de marca registrada, são sinal de “imaturidade”, no entender de Finkelstein.

Além de Zuckerberg, o presidente da empresa de compras coletivas Groupon, Andrew Mason, também levou um demérito por seus problemas ao enfrentar novos competidores.

Com um executivo na lista e outros dois na quase-lista, o setor de alta tecnologia parece ser terreno fértil para maus gerentes. Mas não se trata disso, diz Finkelstein em entrevista à Folha por e-mail: “Não é que as empresas de alta tecnologia tenham presidentes de pior qualidade, o problema é que esse segmento é um onde a competição é mais dura por causa do ritmo de mudança muito rápido. Por isso, os executivos precisam ter mente aberta e alta capacidade de adaptação”.

Outro fator que pode prejudicar o desempenho dos líderes do setor de alta tecnologia é o sucesso muito rápido: “Há empresas que se tornam sensação da noite para o dia e, ainda que devamos aplaudir o empreendedorismo de seus presidentes, eles passam a ter mais dificuldades de tocar suas empresas quando sua organização se torna mais complexa e os competidores começam a entender o que você está fazendo”.

Finkelstein, que mantém no Twitter uma página de comentários sobre administração (@sydfinkelstein ), diz que monta sua lista com base em uma combinação de critérios, que incluem os resultados das empresas, o tipo de decisão tomada pelos presidentes, as decisões que deixam de ser tomadas e o peso da empresa no mercado.

Nem eles nem as empresas comentaram a presença na lista de piores executivos do mundo, segundo afirmou Finkelstein. O professor também disse nunca ter sido processado ou sofrido acusações por causa do ranking: “Minha lista dos piores presidentes de empresa é baseada em pesquisa rigorosa. Além disso, como professor universitário, tenho direito a ter as minhas opiniões e não estou violando nenhuma lei”.

PREVISÕES PARA 2013

Para este ano, na avaliação do professor, o cenário não é especialmente animador –e não só para empresas de alta tecnologia. São muitos os desafios que ele vê pela frente das grandes corporações internacionais, a começar pela necessidade de “retomar o crescimento nas economias desenvolvidas, que ainda sofrem com problemas provocados pelo alto endividamento dos Estados Unidos e da Europa”.

A China, por sua vez, que vinha tendo altas taxas de crescimento, vê sua economia tendo rápidas mudanças e pode perder sua grande vantagem sobre os demais países, que são os baixos custos de produção.

Para piorar as coisas, afirma Finkelstein, “permanece o risco de guerra no mundo árabe e com a Coreia do Norte, o que pode afetar significativamente a demanda global”. E, finalmente, as reformas no setor financeiro foram limitadas, o que significa que “ainda há risco de bolha financeira e volta da quebradeira”.

Fonte: Folha de São Paulo

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje