Aliança entre Paulo Cezar e Paulo Azi tem prazo de validade – Maurílio Fontes

Os fatos políticos se sobrepõem à vontade dos homens, impondo realinhamentos e determinando que alianças sejam desfeitas e outras, bastante improváveis, se tornem realidade. Assim tem sido a história política. Não há novidade nisso. O mais desatento observador é capaz de apreender certas nuances que demarcam o presente e indicam o futuro eleitoral em Alagoinhas.

A aliança entre o prefeito Paulo Cezar (PDT) e o deputado federal Paulo Azi (DEM), que perdura ao longo do tempo nas últimas eleições locais, é mantida, obviamente, pelo interesse comum dos dois líderes políticos e assegura vantagens práticas – nomeações para cargos de confiança e acesso privilegiado ao núcleo do poder municipal. Mas tem prazo de validade se o prefeito quiser manter-se na condição de aliado do governador Rui Costa (PT).

Muitos afirmam que a aliança é boa e confortável, principalmente, para os amigos de Azi, que caminham com o deputado sem o controle do governo federal há mais de uma década e distantes da administração estadual por, no mínimo, doze anos. Exército azista, que sem a Prefeitura de Alagoinhas, atravessaria um deserto desprovido do oásis dos cargos públicos (aliás, é um mistério o quantitativo de nomeados com o beneplácito de Paulo Azi).

Seguramente, esta distância das duas esferas de poder faz com que, segundo informações de bastidores, o grupo azista sempre esteja pronto a ocupar novos espaços na administração municipal, a exemplo da Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer e de outras instâncias no organograma do poder local. Apareceu vaga, existem nomes disponíveis.

O prefeito, por seu turno, enfrentará diversos dilemas. A aliança cezista/azista tem prazo de validade se PC quiser manter-se na condição de aliado do governador Rui Costa, que diferentemente do ex-mandatário estadual, Jaques Wagner, não aceitará passivamente a proximidade eleitoral destes dois líderes políticos alagoinhenses.

O imbróglio do diretório regional do PDT com o governo do estado, que não está no campo resolutivo do prefeito de Alagoinhas, é outro complicador e forte elemento de tensão. É briga para gente de mais alto coturno na política baiana. Mantida a cisão, o candidato do prefeito não poderá pertencer à sigla dita brizolista (que de Leonel de Moura Brizola não tem mais os mínimos resquícios; o discurso  é um arremedo do brizolismo histórico, mas a prática é fisiológica, a exemplo da maioria dos partidos).

O PDT baiano passou para a órbita do prefeito de Salvador, ACM Neto, portanto, em tese, manterá futuramente, no nível local, maior proximidade com o deputado federal Paulo Azi, netista de primeira hora. Uma aliança entre o grupo Azi e o PDT não é de todo improvável. Ao contrário,  é bastante viável se o quadro atual for mantido. 

Paulo Cezar enfrentará outros dois desafios hercúleos: manter minimamente unida, sem maiores defecções, sua base de apoio na Câmara de Vereadores, possivelmente esgarçada pelos interesses eleitorais, nesta reta final da administração; de outro lado, caberá ao prefeito e a seus operadores políticos a tarefa de assegurar o apoio do maior número de partidos hoje abrigados na administração municipal em vários escalões.

Sabe-se que a trajetória de PC, embora distante organicamente das siglas pelas quais transitou, é vitoriosa em termos de aglutinação de agremiações partidárias quando está em jogo a Prefeitura de Alagoinhas. Mas um pequeno e nada circunstancial detalhe poderá fazer diferença: não sendo candidato, qual será a capacidade de Paulo Cezar de reunir em torno do (a) escolhido (a) aqueles que o apoiaram em 2008 e 2012? Este pode ser o grande mistério da esfinge política alagoinhense.

Sem votos e inserção social para disputar a Prefeitura de Alagoinhas com reais chances de vitória, o grupo Azi terá que apresentar uma candidatura majoritária objetivando sustentar o projeto ACM Neto 2018. Esta verdade nunca será admitida, mas o município terá importância estratégica no possível embate Costa x Neto nas próximas eleições estaduais.

Escusando-se de demarcar espaços, Paulo Azi não se fortalecerá como líder político de Alagoinhas. Mesmo sem musculatura eleitoral, não é admissível que um deputado federal seja apenas viga auxiliar na disputa pelo controle do Paço Municipal.

Em linhas gerais, o projeto ACM Neto 2018 impõe novas posturas locais a Paulo Azi. Portanto, uma candidatura com o pedigree azista, para o bem e para o mal, terá que aparecer.

O médico Joaquim Neto (PTC), que transferiu o domicílio eleitoral para Alagoinhas, poderá se qualificar como candidato de Paulo Azi, agregando em torno de si pequenas legendas que desertarão do governo municipal e até o PDT, agora com feição netista. E também os vereadores que seguem a orientação política do deputado federal.

São muitas as variáveis políticas para o entendimento do cenário eleitoral de Alagoinhas, mas não seria especulação afirmar que o prefeito Paulo Cezar e o deputado federal Paulo Azi, aliados históricos nas disputas locais, dificilmente caminharão juntos em 2016.

Não dependerá apenas da vontade de ambos e do conforto que a aliança proporciona. Os fatos políticos, com suas dinâmicas próprias e incontroláveis, determinarão novos arranjos.

E neles, juntos e misturados, não cabem Paulo Cezar e Paulo Azi.   

 

 

 

 

 

 

 

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje