Risco de ociosidade ameaça montadoras no Brasil

Após a euforia dos anúncios de investimentos, a instalação de novas fábricas de automóveis no Brasil em tempos de vendas em queda começa a preocupar o setor.

As montadoras produzem hoje 75% de sua capacidade. Projeções da PricewaterhouseCoopers indicam que o índice deve cair para um mínimo de 70% em 2015.

Cenários mais extremos no setor indicam queda para até 60%, ou seja, 40% de ociosidade nas fábricas. A média global é de 80% de utilização.

“Uma indústria saudável pode ter 15% ou 20% de capacidade ociosa, não mais que isso”, diz Rogelio Golfarb vice-presidente da Ford na América do Sul.

Previsões feitas neste mês pela empresa indicam que a situação extrema poderá ser registrada em 2017 caso as vendas e a produção sigam no ritmo atual.

Neste ano, o setor terá a primeira queda nas vendas desde 2003 como resultado de uma inesperada desaceleração provocada por aperto no crédito, queda na confiança do consumidor e menor crescimento da renda.

O temor de ociosidade lembra a situação vivida no fim dos anos 1990, quando o país se estruturou para produzir 2 milhões de automóveis, mas só alcançou 1,3 milhão.

Editoria de Arte/Folhapress

Com uma capacidade projetada para mais de 6 milhões de veículos, o excedente pode superar 1,6 milhão de unidades nos próximos anos.

A mudança de tendência já provoca ajustes. A Chery adiou o lançamento do compacto S15. “O plano era lançar dois modelos brasileiros em 2014, mas um ficou para 2015 por causa do período de acomodação”, diz o presidente da marca no país, Luís Curi.

A marca chinesa sabe que não será fácil ganhar mercado se as vendas internas não avançarem. Em 2013, novos automóveis roubaram vendas de modelos que estavam havia mais tempo em produção, mas o mercado não cresceu.

Mais executivos mostram preocupação com 2014, quando o IPI maior e a incorporação de itens de segurança deixarão os carros mais caros.

Ao mesmo tempo, fábricas como a da Nissan e a da JAC entram em operação.

EXPORTAÇÃO

Preocupada, a Anfavea (associação das montadoras) entregou ao governo um plano de incentivos às vendas externas. A meta é chegar a 1 milhão de unidades em 2017. Em 2013, serão pouco mais de 500 mil veículos.

Há novos riscos externos. Decisões como a da Argentina, que ameaça restringir a entrada de carros importados em seu mercado, podem afetar as exportações brasileiras.

Fabio Braga/Folhapress
Patio da GM em São Bernardo do Campo (SP); perda de ritmo das vendas elevou estoques
Patio da GM em São Bernardo do Campo (SP); perda de ritmo das vendas elevou estoques

O início da recuperação do nível de capacidade produtiva está previsto apenas para um prazo mais longo, caso o mercado retome o ritmo de crescimento mais adiante.

Ao apresentar os resultados do terceiro trimestre, o presidente-executivo da Fiat, Sergio Marchionne, afirmou que o Brasil vive um período de incertezas atípico. “Os números que prevíamos em termos de volume atrasarão, mas serão possíveis nos próximos cinco ou seis anos”, disse a analistas na época.

Fonte: Folha de São Paulo

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje

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