Cúpula do PP vê maioria do partido a favor da neutralidade, e Ciro Nogueira deve recusar aliança com Flávio em reunião

Integrantes da cúpula nacional do PP avaliam que são remotas as chances de o partido apoiar a pré-candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e dizem que o presidente do partido, senador Ciro Nogueira (PI), deve comunicar essa posição a Flávio nesta quarta-feira.
Após meses de afastamento, Flávio e Ciro deverão se reunir nesta quarta em uma tentativa do pré-candidato do PL de tentar atrair o apoio do PP e também do União Brasil, que forma uma federação com o partido.
A reunião com Ciro é tratada por aliados do pré-candidato como a última tentativa de reverter a tendência de neutralidade da federação formada por PP e União Brasil na disputa presidencial. Segundo interlocutores da campanha ouvidos pelo GLOBO, Flávio chega ao encontro disposto a ampliar significativamente as concessões para convencer o partido a embarcar em sua candidatura.
Nos bastidores, aliados afirmam que a negociação entrou na fase do “tudo ou nada”. A campanha admite colocar sobre a mesa desde a composição da chapa presidencial até a participação do PP em um eventual governo. Entre as possibilidades discutidas estão a entrega de ministérios de peso, como a Casa Civil e a Economia, além de outras pastas estratégicas, caso Flávio seja eleito. Também não está descartada a revisão de acordos estaduais ainda em negociação para acomodar interesses do partido.
Apesar disso, o entendimento de aliados de Ciro Nogueira é que uma aliança com o PL não está nos planos da legenda.
O presidente do PP reuniu na noite dessa terça-feira alguns integrantes da Executiva Nacional do partido para debater os cenários das eleições de 2026. Entre os presentes estavam a senadora Tereza Cristina (MS), que recusou ser vice de Flávio, e os deputados Doutor Luizinho (RJ), Eduardo da Fonte (PE) e Ricardo Barros (PR).
De acordo com relatos, Luizinho e Eduardo da Fonte discursaram pregando a neutralidade na eleição presidencial. Por outro lado, nenhum dos outros presentes falou a favor de uma aliança com Flávio no encontro.
Integrantes do PP dizem que Ciro tem consultado os diretórios estaduais da legenda para saber a posição do partido e o resultado é que há quase uma unanimidade a favor da neutralidade.
A avaliação é que se vincular a um projeto presidencial prejudicaria a estratégia considerada prioritária pela legenda, que é eleger o maior número de deputados federais possível.
Por isso, o partido pretende deixar cada estado livre construir uma aliança com o projeto presidencial que mais beneficiar a legenda na eleição para deputado.
O próprio presidente do partido, que faz oposição ao PT no Piauí e tenta a reeleição como senador, fechou uma aliança com o PL no seu estado. Apesar disso, integrantes da cúpula do PP dizem que o acordo é restrito ao cenário local.

