Preço do petróleo sobe e encerra semana acima de US$ 100

O preço do petróleo voltou a fechar acima de US$ 100 nesta sexta-feira (13), no segundo dia consecutivo que a commodity fica na casa dos três dígitos ao fim da sessão.

O preço do barril do petróleo Brent, referência mundial, oscilou e chegou a uma mínima de US$ 97,72 nesta sexta, mas voltou a subir e encerrou o dia cotado a US$ 103,82, uma alta diária de 3,3%. No fechamento, o barril WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, também subia 3,1%, cotado a US$ 98,71.

O petróleo encerra uma semana marcada pela volatilidade, com preços variando de uma máxima de US$ 119,46 na segunda-feira (9) a uma mínima de US$ 81,16, em alta de 8,6%. Na quinta-feira (12), foi a primeira vez que o barril fechou acima de US$ 100 desde julho de 2022.

As Bolsas da Ásia e da Europa operaram no sentido contrário e fecharam em queda, movimento refletido nos principais índices dos EUA.

A nova alta do petróleo nesta sexta ocorre mesmo após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, renovar a promessa de que os EUA escoltarão embarcações pelo estreito de Hormuz se for necessário.

Nesta quinta, o Irã prometeu atacar mais recursos petrolíferos no Oriente Médio e seguir bloqueando o estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e gás.

Além disso, foram registrados, nesta sexta-feira, ataques a instalações no distrito financeiro de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, como havia prometido a Guarda Revolucionária do Irã no começo da semana.

Com os países do Golfo reduzindo a produção e navios-petroleiros bloqueados na região, os preços de referência do petróleo subiram entre 40% e 50% desde que Estados Unidos e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro, o que ameaça frear o crescimento econômico e alimentar a inflação.

A AIE (Agência Internacional de Energia) advertiu que a guerra no Oriente Médio pode provocar “a maior interrupção do abastecimento” da história do setor, e que cerca de 10 milhões de barris de petróleo deixaram de ser produzidos por dia desde o início do confronto. A agência anunciou nesta semana a liberação recorde de reservas de petróleo, sem impacto concreto nos preços até o momento.

“A estratégia iraniana de desorganizar o mercado de energia se confirma, com o fechamento de fato do estreito de Hormuz há duas semanas e ataques a petroleiros no golfo Pérsico e a portos de Omã além do estreito”, avaliou Xavier Chapard, estrategista da LBPAM.

Para o analista Chris Weston, da Pepperstone, o mercado acredita que o conflito deve se estender e que o fornecimento do petróleo continuará afetado pela restrição ao tráfego no estreito de Hormuz. “Com o petróleo fechando perto de suas máximas, os mercados estão cada vez mais precificando uma duração maior do conflito e o impacto contínuo de um possível fechamento do estreito de Hormuz”, disse.

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje

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