Polícia Federal em Alagoinhas? – Maurílio Fontes

policia-federal-salvador_1632614

Que as “coisas” andam muito mal na Prefeitura de Alagoinhas ninguém dúvida. Que o uso de Lexotan se tornou rotineiro é outra possibilidade quase inquestionável. Não se vive um novo tempo, até porque, envelhecido, de novo o tempo não tem nada.

Parafraseando o Barão de Itararé, personagem criado pelo jornalista Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly, é possível afirmar “que o que está ruim pode piorar”.

Piorar para uns e melhorar para o povo de Alagoinhas, cansado de ver triunfar nulidades, figuras reles e desprovidas de quaisquer pactos morais ou éticos com a res publica.

Houve, nestes últimos anos, clara confusão entre o público e o privado. Entre aquilo que interessava verdadeiramente ao conjunto da sociedade e ao grupo político encastelado no Paço Municipal, símbolo do poder político em Alagoinhas.

Nada ilustra tão bem a quebra das fronteiras dos bons costumes quanto a gestão do programa Minha Casa, Minha Vida, que em Alagoinhas poderia ter algumas denominações menos quixotescas: Minha Família, Várias Casas; Meu Vereador, Minha Casa; Minha Senhora, Minha Casa.

A quebra dos bons costumes, neste caso, envolve diretamente a manipulação de recursos federais, oriundos do orçamento do Ministério das Cidades, responsável pela coordenação do programa.

O Alagoinhas Hoje demonstrou, em uma série de matérias publicadas nos últimos dias, a existência de fraudes na condução do programa pela Secretaria de Assistência Social (SEMAS). Os casos de Hortência Santos Silva, sobrinha da ex-subsecretária Selma Jesus Silva, e de Henrique Yure Florêncio de Oliveira são emblemáticos e indicativos do rompimento das fronteiras da ética, das normas e dos costumes republicanos.

Para aqueles que naturalizam a corrupção e acreditam que gestores municipais são donos da res publica certamente os dois exemplos não passam de atos de punguistas neófitos, de menor dano à sociedade, tal qual a ação de um batedor de carteiras nas ruas de nossa cidade.

Os que aceitam com placidez as práticas da SEMAS não levam em consideração que muitas famílias foram prejudicadas. Aparentemente, na visão torpe destas pessoas a lei de Gérson se impôs. E está tudo certinho. Casos isolados, os defensores governamentais colocam a paixão política acima da ética.

No entanto, existe grande reação da opinião pública alagoinhense contra a condução enviesada do programa Minha Casa, Minha Vida pela Secretaria de Assistência Social. Parentes e aderentes não enfrentaram obstáculos para assegurar imóveis nos vários conjuntos habitacionais edificados em Alagoinhas.  

Os casos denunciados pelo site já constituem elementos para investigação dos órgãos federais, especificamente da Polícia Federal, em razão do investimento de recursos do governo central.

Diante de fatos irrefutáveis, retirados das catacumbas da SEMAS pelo Alagoinhas Hoje, não dá mais para maquiar a realidade: em Alagoinhas, o programa Minha Casa, Minha Vida esteve a serviço do grupo que controla o Executivo, com todas as ramificações políticas, eleitorais e familiares que conhecemos.

Além dos claros direcionamentos, alguém fez do MCMV um balcão de negócios?

A resposta a esta pergunta só a Policia Federal poderá apresentar à sociedade alagoinhense.

PS: Res publica é uma expressão latina que significa literalmente “coisa do povo”, “coisa pública“. É a origem da palavra república. O termo normalmente se refere a uma coisa que não é considerada propriedade privada, mas a qual é, em vez disso, mantida em conjunto por muitas pessoas. 

Fonte: Google

Maurílio Fontes

Proprietário, jornalista, diretor e responsável pelo Portal Alagoinhas Hoje

Menu de Topo